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Apoiadores de Morales se organizam para impedir sua prisão (dirigente)
Centenas de indígenas e cocaleiros formavam "anéis de segurança" para impedir a prisão do ex-presidente boliviano Evo Morales, ordenada pelo Ministério Público no âmbito de uma investigação por suspeita de tráfico de menor durante seu mandato, anunciou nesta quarta-feira um de seus apoiadores mais próximos.
Desde setembro, quando sua prisão foi ordenada, Morales está abrigado em Lauca Eñe, na região cocaleira de Chapare, seu reduto político no centro do país, informou à AFP Vicente Choque, da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia, que se apresenta como um dos responsáveis pela segurança do ex-governante.
Choque afirmou que “a segurança do irmão Evo se encontra neste momento a cargo de mais de 2 mil pessoas, 24 horas por dia”. Segundo ele, os apoiadores se organizaram “em três anéis, quatro anéis de segurança".
Embora o paradeiro de Morales não seja desconhecido, o governo se absteve de enviar a polícia para cumprir a ordem do Ministério Público, sem explicar o motivo. "Vamos defendê-lo com nossa vida", afirmou Choque, que ameaçou iniciar "o apocalipse" se a força pública "ousar" prender seu líder.
Morales, 65, foi intimado por um juiz de Tarija a comparecer na próxima sexta-feira à audiência em que decidirá sobre um pedido do Ministério Público de prisão preventiva por seis meses. O ex-presidente alegou problemas de saúde para deixar de se apresentar ontem ao tribunal, segundo a promotoria.
Morales é acusado do crime de tráfico de menor, devido a um suposto acordo que teria feito com os pais de uma adolescente de 15 anos. Segundo o Ministério Público, ele e a menor tiveram uma relação em 2015, da qual nasceu uma filha um ano depois. Os pais da jovem consentiram, em troca de benefícios.
Morales nega as acusações e diz que é vítima de um complô orquestrado pelo presidente Luis Arce, seu ex-aliado e ex-ministro da Economia. Os dois disputam a candidatura da esquerda para as eleições de agosto, apesar de o líder cocaleiro ter sido inabilitado pela Justiça.
F.Bennett--AMWN