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Imerso na violência do tráfico de drogas, Equador elegerá presidente
O presidente do Equador, Daniel Noboa, e a candidata da oposição Luisa González, próxima do ex-líder socialista Rafael Correa, se enfrentarão no domingo (9) em um duelo pela Presidência com um desafio primordial: acabar com a guerra entre gangues criminosas que lucram com o tráfico de drogas.
Localizado no Pacífico e com uma economia dolarizada, o Equador tornou-se uma rota procurada pelo tráfico de drogas e um centro de armazenamento do estoque disputado por organizações que travam combates mortais.
A crescente violência renovou as preocupações em um país que, até poucos anos atrás, era um oásis entre Colômbia e Peru, os maiores produtores de cocaína do planeta.
"A cada dia estamos pior, o dinheiro não dá para nada, vivemos inseguros", disse à AFP uma flanelinha na zona norte de Quito, pedindo para não revelar seus dados pessoais por medo de represálias.
Os equatorianos sofrem os danos de um Estado endividado (quase 50 bilhões de dólares ou 293,4 bilhões de reais, 40% do PIB), com uma pobreza de 28% e concentrado em financiar a custosa guerra contra o narcotráfico.
Noboa, do partido ADN, e Luisa González, do movimento Revolução Cidadã, afilhada política do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), lideram as pesquisas de intenção de voto.
Entre os 16 candidatos predominam as propostas dirigidas a pacificar a nação, que passou de uma taxa de homicídios de 6 por 100.000 habitantes em 2018 para um recorde de 47/100.000 em 2023. O governo de Noboa conseguiu reduzi-la para 38/100.000.
A maioria das pesquisas não prevê uma definição da eleição no primeiro turno e assinala que seria preciso esperar até 13 de abril para conhecer o futuro presidente (2025-2029).
No Equador, país de 17 milhões de habitantes onde o voto é obrigatório, os eleitores irão às urnas entre as 07h e as 17h locais (09h e 19h de Brasília) de domingo para eleger presidente e vice, 151 congressistas e cinco membros do Parlamento Andino.
- Polarização -
Noboa e González são a expressão de um país dividido.
No poder desde novembro de 2023, o presidente busca a reeleição. Aos 37 anos, ele é um dos governantes mais jovens do mundo, uma imagem que explode nas redes sociais, onde é muito ativo.
Com um colete à prova de balas e à frente de grandes operações militares, ele conquistou apoio como um político rigoroso no combate ao tráfico de drogas.
"O maior feito de Noboa é a segurança [...], a delinquência diminuiu bastante", diz o vigia Marcelo Torres, de 57 anos.
Noboa venceu uma eleição extraordinária para completar o mandato de Guillermo Lasso, que dissolveu o Congresso e convocou eleições antecipadas para impedir que o Congresso o destituísse após um julgamento de impeachment por corrupção.
No outro extremo do espectro, González aspira ser a primeira mulher eleita presidente do Equador, com uma agenda que promete mais segurança e respeito aos direitos humanos.
Atrás dela está a candidata Andrea González, embora com uma enorme diferença na preferência do eleitorado. Nas últimas eleições, ela foi companheira de chapa do ex-candidato presidencial Fernando Villavicencio (centro), morto a tiros ao sair de um comício em Quito em 2023.
Mais de 30 políticos foram assassinados desde 2023 no Equador, onde candidatos relatam ameaças e andam pelas ruas cercados por fortes dispositivos de segurança.
Ainda que sem apoio suficiente, o indígena Leonidas Iza espera surpreender. Ganhando ou perdendo, o poderoso movimento dos povos indígenas que ele lidera é uma força capaz de derrubar presidentes e encurralar governos, dizem analistas.
"Nenhum deles me representa, mas se é preciso escolher, vou em qualquer um que não seja este governo [...] Não tem sido capaz de solucionar nada", diz a comerciante Diana Vega, de 38 anos.
- Um ano, várias crises -
Limitado pela Constituição a fazer campanha, Noboa tem seus 18 meses no governo como carta de apresentação.
Embora seja muito popular, organismos de defesa dos direitos humanos denunciam que, por trás de seu plano de segurança, ocorrem abusos. Em Guayaquil, quatro rapazes foram assassinados e tiveram seus corpos carbonizados após uma operação militar, em um caso ainda em investigação.
A maioria "vê com muito bons olhos a militarização das ruas porque o militar equatoriano não é mal visto", diferentemente do que ocorre em outros países da região que viveram ditaduras, afirma o cientista político Santiago Basabe, da particular Universidade São Francisco de Quito.
Noboa também enfrentou uma crise diplomática com o México por ordenar uma incursão armada na embaixada do país norte-americano para deter o ex-vice-presidente de Correa asilado, Jorge Glas, além de uma seca inédita que provocou apagões de até 14 horas diárias.
Seu governo também foi marcado por uma relação ruim com o Legislativo e com sua vice-presidente, Verónica Abad, que precisou sair, contrariada após ser mandada por Noboa como embaixadora para Israel e depois Turquia.
Abad acusa o presidente de violência de gênero, após suas tentativas de suspendê-la do cargo, enquanto ele afirma que sua escolha como companheira de chapa foi um "erro".
P.Martin--AMWN