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Autor do ataque ao escritor Salman Rushdie é condenado a 25 anos de prisão
Hadi Matar, autor do ataque que quase custou a vida do escritor Salman Rushdie, em 2022, foi condenado nesta sexta-feira (16) a 25 anos de prisão por tentativa de assassinato, a penalidade máxima à qual ele estava exposto.
O escritor britânico-americano de origem indiana passou semanas entre a vida e a morte após um ataque com faca em um centro cultural no estado de Nova York, no qual perdeu o olho direito, que agora cobre com uma lente escura em seus óculos.
O agressor, um jovem americano de origem libanesa de 27 anos foi declarado culpado de tentativa de assassinato e agressão por um júri popular em fevereiro, após um julgamento de quase quatro semanas no qual o escritor testemunhou.
O juiz do tribunal do condado de Chautauqua, David Foley, impôs nesta sexta-feira a sentença máxima para os crimes acusados.
"Hadi Matar foi condenado a 25 anos mais cinco anos em liberdade condicional por tentativa de assassinato e mais sete anos de prisão e três anos de liberdade condicional por agressão", disse o tribunal em uma mensagem enviada à AFP.
Matar esfaqueou o autor de "Os filhos da meia-noite" uma dúzia de vezes no rosto, pescoço e abdômen em 12 de agosto de 2022, quando ele estava prestes a dar uma palestra para cerca de mil pessoas sobre a proteção da liberdade dos escritores em Chautauqua, uma cidade pacata na fronteira com o Canadá.
Desde que sua obra "Os versos satânicos" foi declarada blasfêmia, em 1989, pelo então líder supremo do Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini que emitiu uma fatwa (decreto religioso) conclamando os muçulmanos de todo o mundo a matar o escritor, Rushdie recebeu várias ameaças de morte.
Após a fatwa, Rushdie viveu em reclusão e sob escolta em Londres por uma década. Nos últimos 20 anos, ele viveu com certa normalidade em Nova York.
- "Surpreso" -
Hadi Matar também é acusado por um tribunal federal de "atos de terrorismo" por fornecer apoio e recursos ao movimento xiita libanês Hezbollah, ligado ao Irã, que apoiou a fatwa. As autoridades libanesas negaram qualquer envolvimento.
Antes do julgamento, o agressor alegou que havia lido somente duas páginas de "Os versos satânicos", o suficiente para considerar que o autor havia "atacado o islã".
A equipe jurídica de Matar tentou impedir que as testemunhas retratassem Rushdie como vítima de perseguição pela fatwa iraniana.
O autor relatou essa experiência em um livro autobiográfico, intitulado "Faca: Reflexões sobre um atentado", publicado em 2024.
Ao depor como testemunha no julgamento de seu agressor, Rushdie disse que achava que morreria depois de ser esfaqueado.
O agressor esteve "muito perto" de matar o escritor, disse o promotor Jason Schmidt na abertura do julgamento.
O autor do ataque foi preso no local. Alguns dias após o ocorrido, ele foi entrevistado na prisão pelo tabloide New York Post, onde confessou que estava "surpreso" com o fato de Rushdie ter sobrevivido.
Ele não disse, no entanto, se havia se inspirado na fatwa emitida em 1989 pelo aiatolá Khomeini, líder do Irã na época, mas enfatizou que não gostava do autor e o criticou por ter "atacado o islã".
Henry Reese, cofundador da Pittsburgh City of Refuge, um projeto para ajudar escritores em exílio, também foi ferido no ataque.
B.Finley--AMWN