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Premiê britânico sob pressão por caso de ex-embaixador vinculado a Epstein
A pressão sobre o primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, aumentou nesta sexta-feira (17) com novos pedidos de renúncia, depois que ele foi acusado de mentir ao Parlamento devido a novas revelações sobre o processo de nomeação do ex-embaixador nos Estados Unidos, Peter Mandelson.
Starmer está em uma posição embaraçosa há vários meses por sua decisão de nomear para a embaixada de Washington o ex-ministro trabalhista Mandelson, antes de destituí-lo em setembro do ano passado, depois de acusá-lo de ter "mentido de forma reiterada" sobre os seus vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
O jornal The Guardian revelou na quinta-feira que o Ministério das Relações Exteriores habilitou Peter Mandelson para o cargo em janeiro de 2025, apesar de uma avaliação desfavorável do serviço de verificação de antecedentes.
Após a revelação, Starmer demitiu nesta sexta-feira o principal funcionário à frente dos serviços diplomáticos, Olly Robbins, assessor do Foreign Office.
Autoridades do Foreign Office decidiram seguir "contra a recomendação" do organismo, confirmou um porta-voz de Starmer, que afirmou que nenhum membro do governo tinha conhecimento dos elementos "antes do início da semana".
Starmer afirmou nesta sexta-feira que é "imperdoável" não ter recebido todas as informações sobre a avaliação do perfil de Peter Mandelson antes de nomeá-lo como embaixador nos Estados Unidos, alegando desconhecimento.
"Não fui informado que ele não havia obtido o aval após a investigação de segurança (prévia à nomeação). Nenhum ministro foi informado. Downing Street também não foi informada, o que é totalmente inaceitável", declarou o líder britânico em Paris, onde está para copresidir uma reunião internacional sobre o Estreito de Ormuz com o presidente francês, Emmanuel Macron.
Starmer, que afirmou estar "furioso", anunciou que falará na segunda-feira sobre o tema no Parlamento britânico, enquanto aumentam os pedidos por sua renúncia.
A líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, afirmou na rede social X que "Starmer traiu nossa segurança nacional. Ele deveria sair."
Fazer declarações deliberadamente enganosas perante os deputados é considerado muito grave na democracia parlamentar britânica.
O chefe de governo sempre insistiu que não sabia do nível de proximidade entre o ex-ministro e o financista americano que faleceu na prisão em 2019.
Contudo, documentos do governo trabalhista divulgados em março mostraram que Starmer foi alertado que nomear para o cargo de embaixador nos Estados Unidos alguém com vínculos com Epstein representava um "risco".
A popularidade de Starmer caiu nas pesquisas desde a sua chegada ao poder, em julho de 2024. No próximo mês, o Reino Unido terá eleições municipais.
A.Jones--AMWN