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Apenas a 'barreira econômica' separa projeto para internet e cinema, afirma diretor de 'Backrooms'
"Backrooms", a adaptação para o cinema de uma série de terror viral no YouTube, está fazendo o maior sucesso nos cinemas dos Estados Unidos.
Dias antes da estreia do filme nos Estados Unidos, seu diretor, Kane Parsons, de 20 anos, explicou à AFP a origem do projeto, inspirado em uma história de terror que mostra um mundo paralelo angustiante e labiríntico.
Pergunta: Como você descobriu o universo de "Backrooms"?
Resposta: "Foi em maio de 2019, tinha 13 anos. Não lembro exatamente a primeira vez que vi [a foto original que inspirou a história], porque ela meio que já estava em todo lugar na internet".
Acredito que o que me atraiu inicialmente foi aquela sensação de já ter estado em milhões de lugares diferentes que eram um pouco como "Backrooms", cujo aspecto genérico evoca memórias de infância que não conseguimos localizar com precisão. Só alguns anos depois senti a vontade de explorar esse universo por mim mesmo, e foi isso que fiz no meu primeiro curta-metragem".
P: Lançado no início de 2022, este primeiro vídeo, no qual um menino se perde em corredores assustadores, ultrapassou 20 milhões de visualizações em duas semanas. Como você vivenciou esse sucesso?
R: "Não esperava por isso de jeito nenhum. Em um mês, comecei a receber e-mails de várias empresas. Tinha 16 anos e tudo aquilo era muito novo para mim. Eu estava muio cético em relação à ideia de lidar com pessoas de terno sobre um assunto tão importante para mim".
Se eu tivesse que me comprometer a seguir este caminho, teria que fazê-lo de uma forma muito precisa e meticulosa".
P: Após ter feito mais vinte vídeos relacionados a "Backrooms" no YouTube, por que você decidiu levar este universo ao cinema?
R: "Usei o YouTube a vida inteira e, para mim, não existe de fato uma barreira, salvo a econômica, que separe um projeto online de outro no cinema.
Projetos que surgem na internet nem sempre são levados a sério, mas também acredito que existe um grande número de projetos verdadeiramente excelentes criados por muitos artistas independentes.
E me parece que o gênero de terror é o principal trampolim para as criações independentes no YouTube.
Na verdade, fico surpreso que esta estratégia de testar novas propriedades intelectuais online a um custo menor não seja usada com mais frequência. Não é uma má maneira de fazer isso e permite verificar se ela pode ser desenvolvida e se consolidar na mente das pessoas sob uma forma mais simples".
P: Você sempre quis assumir o controle da produção do filme?
R: "Pessoalmente, não estava disposto a aceitar nenhuma versão que eu não estivesse dirigindo. Sempre fui muito exigente neste aspecto.
Desfrutei de uma grande liberdade criativa, e ela continuou crescendo à medida que o processo avançava.
O roteiro original é provavelmente o elemento com o qual tive a relação menos direta, porque não fui eu quem o escreveu, e foi um processo contínuo de moldá-lo com pequenos ajustes e, às vezes, modificá-lo de forma mais radical, até que ele acabasse ficando exatamente como o projeto que eu queria apresentar.
Acredito que vai ser um pouco estranho ver como este universo vai se popularizar para as pessoas que o consideravam algo um tanto nichado.
E para mim, também é desconcertante ver [o cartaz do filme] nos pontos de ônibus. Parece um pouco irreal".
P: Você pretende continuar desenvolvendo o universo de "Backrooms" no cinema?
R: "'Backrooms' ainda não acabou, isso é certo. Mas estou mais preocupado com a história do que com a forma como vou contá-la.
Não posso prever o futuro, mas sim, não descarto a possibilidade de adaptar estas histórias para o cinema. Nem descarto uma série para televisão, que, pessoalmente, é o que mais me interessa".
P.Martin--AMWN