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Corte prematuro dos juros pode ser 'disruptivo', diz presidente do Fed
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, avaliou, nesta quarta-feira (3), que um corte prematuro das taxas de juros fixadas pelo banco poderia ser "bastante disruptivo" para a maior economia do planeta.
Os juros estão "fazendo seu trabalho" contra a inflação, acrescentou Powell, em alusão à taxa básica de juros nos Estados Unidos, que se mantém em níveis máximos em mais de duas décadas, entre 5,25% e 5,50%.
No mês passado, ao final de sua última reunião, os membros do Comitê Monetário do Fed (FOMC) destacaram que podem ocorrer três cortes dos juros este ano, apesar de um pequeno movimento de alta da inflação.
Powell disse em uma conferência na Califórnia que poderia haver consequências negativas para a economia caso os juros sejam reduzidos muito rapidamente, e também se o movimento for lento demais.
"O risco, no entanto, de nos mexermos cedo demais, realmente é a inflação se mover para cima", afirmou. "Seria bastante disruptivo se tivéssemos que recuar" em seguida, e voltar a aumentar os juros, refletiu.
Mas, se a economia continuar evoluindo como se espera, a maioria dos membros do FOMC consideraria "apropriado começar a baixar a taxa de política (monetária) em algum momento este ano", concluiu.
O Fed tem uma meta de inflação anual de longo prazo de 2%.
- Apenas um corte em 2024? -
Powell discursou pouco depois de o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, que integra o Comitê Monetário, indicar, em declarações à CNBC, que acredita que pode haver um único corte de juros este ano, no último trimestre de 2024.
"Voltei a pensar como antes porque temos visto a inflação em uma trajetória muito mais acidentada", afirmou. "Prevemos que a inflação se modere muito mais lentamente do que muitos antecipavam, e deveremos ser mais pacientes", resumiu.
Nestas condições, a primeira e, talvez, única redução dos juros pode ocorrer "no fim do ano, no último trimestre", disse o funcionário.
Alguns dados "secundários" dos números da inflação levaram Bostic a se preocupar "com o risco de que as coisas evoluam mais lentamente" do que o esperado. Para ele, o Fed não alcançará sua meta de inflação de 2% antes de 2026.
A inflação recorde, que atingiu 9,5% em junho de 2022 nos Estados Unidos, levou o Fed a aumentar fortemente os juros, que passaram de 0% para 5,50% entre março de 2022 e agosto de 2023. Desde então, permanecem inalterados.
Juros altos encarecem o crédito, o que desestimula o consumo e os investimentos, reduzindo, assim, a pressão sobre os preços. Segundo o índice PCE, a medida preferida pelo Federal Reserve, a inflação em 12 meses em fevereiro foi de 2,5%, levemente acima da medição de janeiro, de 2,4%.
L.Davis--AMWN