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O que aconteceria se o Google fosse forçado a vender o Chrome?
O governo dos EUA exige que o Google venda seu navegador, Chrome, para limitar o monopólio da empresa nesse mercado, uma medida que abalaria o gigante da tecnologia.
Na última quarta-feira (20), o Departamento de Justiça apresentou essa recomendação antitruste ao juiz federal de Washington, Amit Mehta, que deve se pronunciar após a condenação do Google por práticas anticompetitivas nas pesquisas na Internet.
- Qual seria o impacto para o Google? -
“Isso seria um grande golpe para o Google”, disse o analista Dan Ives, da Wedbush Securities.
O Google oferece pesquisa gratuita e gera receita com recursos de segmentação de anúncios e comércio online.
“Seria uma mudança drástica no modelo de negócios da empresa”, disse Beth Egan, professora de publicidade da Universidade de Syracuse.
A venda do Chrome deixaria o Google sem uma fonte importante da qual “eles obtêm muitas informações que podem ser usadas para treinar seus algoritmos” e promover outros serviços, como o Maps, disse Egan.
Lançado em 2008, o Chrome detém cerca de 70% do mercado de pesquisa online, desbancando seus concorrentes, Edge e Safari, desenvolvidos pela Microsoft e pela Apple, respectivamente.
Mas os especialistas acreditam que o Google encontraria uma maneira de se recuperar se fosse forçado a vender o Chrome. “Não acho que perder o mecanismo de busca vá matar o Google como empresa”, disse Egan.
Por exemplo, a Apple implementou no Safari uma limitação drástica de “cookies”, os marcadores que permitem que as empresas rastreiem a navegação dos usuários.
“Os anunciantes disseram: 'Estamos em um impasse, mas vamos resolver isso'”, disse Egan. “E o Google fará o mesmo.
- Quanto vale o Chrome? -
Um analista da Bloomberg estima que o Chrome, usado por mais de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo, poderia ser vendido por pelo menos US$ 15 bilhões (87 bilhões de reais, na cotação atual).
No entanto, a falta de precedentes torna difícil prever o valor do Chrome no mercado.
Em 2016, um grupo de investidores chineses comprou o mecanismo de buscas norueguês Opera Software ASA, que na época tinha apenas 350 milhões de usuários, por US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,95 bilhão, em valor da época).
- Quem poderia comprá-lo? -
“Os possíveis compradores do Chrome realmente não são muitos”, disse a analista sênior Evelyn Mitchell-Wolf, da Emarketer, que acredita que ‘qualquer empresa que tenha dinheiro suficiente para comprar o Chrome já está sob o escrutínio das autoridades antitruste’.
A analista considerou, no entanto, que o governo dos EUA poderia autorizar a venda a um grupo norte-americano para “priorizar a inovação em IA (inteligência artificial) e posicionar os EUA globalmente” nessa tecnologia.
- Isso beneficiaria outros navegadores? -
Analistas concordam que as pessoas continuarão a usar o Chrome independentemente de quem seja proprietário, desde que sua qualidade não diminua.
“Isso significa que o Chrome manterá seus recursos mais populares e continuará a inovar”, disse Mitchell-Wolf.
“Os comportamentos de busca são uma função da conveniência em primeiro lugar, e da confiança e da experiência em segundo”, acrescentou.
O Departamento de Justiça argumenta que as pessoas usam o Chrome porque ele é o navegador padrão em seus dispositivos e que, se tivessem outras opções, elas as usariam, mas analistas consideram isso “improvável”.
- Fator Trump -
Muitos duvidam que o juiz Mehta seguirá todas as recomendações do Departamento de Justiça.
O analista Angelo Zino, da empresa CFRA, chamou as medidas sugeridas de “extremas e improváveis de serem impostas pelo tribunal”.
O novo governo Trump também “continua sendo um fator imprevisível”, independentemente de as autoridades judiciais assumirem o caso.
Em outubro, Trump disse que se opunha ao desmantelamento do Google, acreditando que tal decisão seria contrária aos interesses dos EUA em nível internacional.
“A China tem medo do Google” e a decisão pode prejudicar a empresa, disse Trump.
No entanto, o presidente eleito dos Estados Unidos também acusou o Google de ser injusto com o conteúdo conservador.
L.Mason--AMWN