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Petróleo sobe diante de perturbações no fornecimento
Duelo comercial se transforma em guerra de trincheiras entre EUA e China
A China respondeu ao último golpe tarifário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que continua convencido de que sua ofensiva comercial funciona "realmente bem", ideia cada vez mais questionada por investidores e consumidores.
Os mercados evitam o dólar americano, a dívida e as ações, em uma onda generalizada de desconfiança que tende a ocorrer com os países emergentes, mas não com a principal potência do mundo.
O Federal Reserve (Fed, banco central americano) afirma estar "absolutamente preparado" para agir e estabilizar os mercado caso seja necessário.
Jamie Dimon, diretor da JP Morgan, reconheceu nesta sexta-feira (11) que a economia enfrenta "uma turbulência considerável".
Além disso, os rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos com vencimento em dez anos subiram, o que significa que os Estados Unidos precisam pagar mais para se endividar.
E a confiança do consumidor nos Estados Unidos caiu drasticamente em abril "independentemente da idade, renda, nível de escolaridade, local de residência ou filiação política", segundo um barômetro publicado pela Universidade de Michigan.
Mas Trump considera que sua política tarifária está funcionando "realmente bem", conforme afirmou em sua rede Truth Social, onde evitou comentar o anúncio de Pequim de que aumentará para 125% suas tarifas alfandegárias sobre produtos provenientes dos Estados Unidos.
- "Otimista" -
"O presidente deixou muito claro que está aberto a um acordo com a China", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, à imprensa. "Está otimista", acrescentou.
O bilionário republicano acredita que a China quer negociar, mas as declarações do Ministério das Finanças chinês indicam mais um afastamento.
"Como, com este nível de tarifas, os produtos americanos exportados à China não são mais viáveis no mercado", se Washington continuar aumentando as taxas, "a China vai ignorar", alertou.
Na quarta-feira, o republicano recuou em sua ofensiva protecionista ao pausar temporariamente por 90 dias as tarifas alfandegárias para dezenas de parceiros comerciais, com exceção da China, país sobre o qual deixou em vigor outras sobretaxas e um mínimo universal de 10%.
As tarifas aduaneiras sobre Pequim foram elevadas para até 145%, 125% além das pré-existentes de 20%.
O anúncio do presidente dos Estados Unidos desencadeou euforia nos mercados financeiros, e Wall Street encerrou o dia com uma de suas melhores sessões na bolsa.
Naquele dia, Trump escreveu bem cedo em suas redes sociais que "é um bom momento para comprar". Ele fez isso horas antes de anunciar a suspensão.
Essa mensagem levou vários senadores democratas, nesta sexta-feira, a solicitarem à SEC, o órgão regulador do mercado de valores americano, que inicie uma investigação.
Eles querem que seja apurado se "os anúncios tarifários enriqueceram familiares e amigos da administração" às custas dos americanos, por terem tido "conhecimento prévio da pausa tarifária", o que configuraria uso de informação privilegiada.
- Fogo cruzado -
Os europeus seguem sob fogo cruzado: sob pressão para negociar com os Estados Unidos e forçados a chegar a um acordo com a China.
Durante uma reunião com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em Pequim nesta sexta, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu à União Europeia que "se mantivesse unida" contra a guerra comercial de Trump.
Sánchez pediu uma "retificação" do déficit comercial com a China, mas sem "obstaculizar o potencial de crescimento das relações" com Pequim.
O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou nesta sexta-feira que a pausa era "frágil" e pediu aos europeus que fossem "fortes".
A UE suspendeu as contramedidas previstas e o Comissário Europeu de Comércio, Maros Sefcovic, viajará para Washington na segunda-feira.
Nesta batalha das grandes potências, a ONU alertou sobre as possíveis consequências para países pobres como Lesoto, Camboja, Madagascar e Mianmar.
São "os mais vulneráveis" e "menos equipados a se adaptar", afirma Pamela Coke-Hamilton, diretora-executiva do Centro de Comércio Internacional, uma entidade conjunta das Nações Unidas e da Organização Mundial do Comércio (OMC).
burs-nr-lem/meb/pc/fp/jc/aa/dd/mvv/yr/am
P.Mathewson--AMWN