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Como as tarifas de Trump impactarão o cobre chileno?
A ameaça dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre o cobre disparou o seu preço. O Chile, o principal produtor mundial do metal, confia que poderá evitar a punição de Donald Trump em negociações acirradas em Washington.
Salvo um acordo, o imposto entrará em vigor no dia 1º de agosto.
- Negociações confidenciais -
O Chile e os Estados Unidos negociam desde segunda-feira, sob sigilo em Washington, um acordo tarifário, após a decisão de Trump de taxar as exportações chilenas em 10% ou até 20%, segundo fontes diplomáticas.
A política protecionista põe em dúvida o Tratado de Livre Comércio (TLC) vigente desde 2004.
O governo de Gabriel Boric propôs que o cobre estivesse na mesa de negociações para evitar ou amenizar a tarifa anunciada de 50%.
Com este tipo de matérias-primas "foram feitas exceções e foram incorporadas (...) dentro do conjunto de negociações", disse na segunda-feira o ministro da Fazenda do Chile, Mario Marcel, à imprensa local.
O Chile não recebeu até esta quarta-feira nenhuma comunicação oficial sobre o novo imposto.
Os Estados Unidos importam 45% do cobre que utilizam em sua indústria, segundo o Serviço Geológico. O Chile cobre 51% dessa demanda, à frente do Canadá, México e Peru.
As negociações com o Chile têm caráter "confidencial", apontou à AFP uma fonte do Ministério das Relações Exteriores chileno.
Após o início de seu segundo mandato, o presidente Trump se propôs a reformar o comércio dos Estados Unidos com o mundo. Seu governo estimou que a estratégia de tarifas punitivas poderia alcançar "90 acordos em 90 dias".
Após meses de resultados fracos, agora parece obter algum sucesso. Fechou acordos com Reino Unido, Vietnã, Japão, Filipinas, Indonésia e União Europeia.
- Impacto potencial no Chile -
O Chile é o principal produtor mundial de cobre, com 24% da oferta global.
Elemento-chave na transição energética, esse mineral é empregado na fabricação de automóveis e baterias de aparelhos eletrônicos.
Se finalmente os Estados Unidos taxarem as importações de cobre, "o impacto econômico sobre a atividade e as receitas fiscais no Chile para este ano será mínimo", afirmou o ministro Marcel há duas semanas diante da Câmara de Deputados.
E embora haja dano "a médio prazo", o Chile pode mitigá-lo através "da diversificação" dos mercados, acrescentou o ministro.
O Chile exporta 52% de seu cobre para a China. Os Estados Unidos são seu segundo mercado, embora de longe, com 11%.
Para o diretor da consultoria Plusmining, Juan Carlos Guajardo, o país pode "redirecionar seu cobre", especialmente "para o sudeste asiático e a Índia".
Concorda com ele Jorge Cantallopts, diretor-executivo do Centro de Estudos do Cobre e da Mineração, que assegura que ao existirem outros mercados, o impacto poderia ser "zero".
Após o anúncio de Trump, o preço do cobre alcançou níveis recordes em Nova York.
Para acumular reservas antes do prazo de 1º de agosto, os compradores americanos se concentraram no metal vermelho nos Estados Unidos, onde os contratos algumas vezes foram negociados mais de 30% mais caros que os de Londres.
- Revitalizar a indústria dos EUA -
Segundo Andy Cole, analista britânico da empresa Fastmarkets, a decisão de Trump de taxar o cobre busca "revitalizar" a indústria cuprífera americana, que "se enfraqueceu, foi superada pela China e se tornou dependente das importações estrangeiras".
No entanto, o cobre é um metal difícil de substituir e os Estados Unidos não têm no momento a capacidade de aumentar sua produção.
"Precisariam produzir entre 600.000 e 800.000 toneladas de cobre, e isso levará pelo menos 10 anos", estima, por sua vez, Juan Carlos Guajardo.
Prevê-se também que a tarifa afetará o mercado interno americano.
"Isso aumentará desnecessariamente os custos e os preços em toda a indústria manufatureira dos Estados Unidos", afirma à AFP Maurice Obstfeld, professor de Economia da Universidade da Califórnia.
O aumento das tarifas alfandegárias afetará especialmente setores como "eletrônica, construção e transporte" nos Estados Unidos, segundo a empresa de consultoria financeira Oxford Economics.
P.Stevenson--AMWN