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Trump convida presidente da Venezuela aos EUA em data a ser definida
O presidente Donald Trump tem planos de convidar a Washington Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência de Venezuela de forma interina após a queda de Nicolás Maduro em uma incursão americana, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (21).
Delcy era a vice-presidente de Maduro e está sancionada pelos Estados Unidos. Washington informou nesta quarta-feira que está prevista a visita de Delcy Rodríguez, embora ainda não haja uma data: "Nada foi agendado", indicou.
A presidente interina será a primeira governante da Venezuela a viajar aos Estados Unidos há mais de 25 anos, excluindo as visitas para reuniões das Nações Unidas em Nova York.
O convite revela a proximidade de Trump com o governo interino, após o bombardeio a Caracas de 3 de janeiro que levou à captura do mandatário socialista.
Trump disse no Fórum de Davos que "os líderes do país foram muito astutos", em referencia a Delcy. "A Venezuela fará mais dinheiro [com o petróleo] nos seis próximos meses do que o que fez nos 20 anos passados."
Antes de sua participação em Davos, Trump já havia classificado Delcy de "formidável" e havia garantido que, com ela, "tudo está indo muito bem".
A nova presidente firmou acordos petrolíferos e aceitou libertar presos políticos, em meio a discussões para retomar as relações diplomáticas rompidas desde 2019.
Em paralelo, Trump mantém uma frente aberta com a oposição. Disse na terça-feira que queria "envolver" a chefe da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, na gestão do país.
- 'A grande cooperação' -
O último presidente venezuelano que viajou aos Estados Unidos para uma reunião oficial com um presidente americano remonta a 1990, quando Carlos Andrés Pérez se reuniu com George H.W. Bush.
A reviravolta socialista con Hugo Chávez (1999-2013) esfriou depois as relações, que rapidamente se tornaram conflituosas.
Empossada em 5 de janeiro, dois dias depois da captura de Maduro por forças americanas, Delcy Rodríguez fez numerosas concessões sob pressão dos Estados Unidos. Trump não hesitou em ameaçá-la com um novo ataque se não respondesse positivamente a suas demandas.
A mandatária afastou Alex Saab, apontado como laranja de Maduro, do órgão encarregado de captar investimentos internacionais em meio aos planos de Trump para que grandes petroleiras americanas voltem a operar no país. Hoje, apenas há a Chevron.
Não obstante, a Agência Internacional da Energia (AIE) pôs em dúvida nesta quarta-feira a possibilidade de que a produção petrolífera no país possa voltar a seus níveis históricos, recordando que o petróleo venezuelano é extrapesado e, portanto, complexo e caro de extrair.
Delcy anunciou nesta terça-feira o repasse dos primeiros 300 milhões de dólares provenientes da venda de petróleo venezuelano por parte dos Estados Unidos.
As divisas são vitais para a economia venezuelana desde 2018, quando o dólar se converteu na moeda 'de facto' em um contexto de grave crise econômica. Mas a Venezuela custa a obter divisas devido ao embargo petroleiro imposto em 2019 por Washington sobre o seu principal produto de exportação.
- Evitar erros -
O partido de Maduro protesta em paralelo contra o "sequestro" do governante deposto e sua esposa, Cilia Flores.
O cientista político Benigno Alarcón explicou que Trump busca não repetir "erros" passados como no Iraque, onde os Estados Unidos eliminaram os membros do partido de Saddam Hussein do governo e se depararam com um país ingovernável.
O chavismo controla hoje todos os poderes públicos. "Sempre vão estar lá, embora sejam uma minoria", disse Alarcón à AFP. "O problema basicamente é que você tenha instituições que respondam ao Estado e não a uma facção".
As libertações de presos políticos avançam a conta-gotas com apenas umas 150 libertações de um universo que supera os 800.
"Esperamos com fé e esperança enquanto trabalhamos para que Javier [Tarazona] saia logo", afirmou Rafael Tarazona, irmão deste ativista de direitos humanos, um dos presos políticos mais conhecidos, detido em julho de 2021.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denunciou, por sua vez, que a Venezuela mantém "centros de detenção clandestinos".
L.Davis--AMWN