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Espanha investiga gritos islamofóbicos durante amistoso contra Egito
A Espanha amanheceu nesta quarta-feira (1º) envergonhada com os cantos islamofóbicos ocorridos na terça-feira em Barcelona, durante o amistoso disputado pela seleção espanhola contra o Egito, em mais um episódio que se soma a outros incidentes semelhantes nos estádios do país nos últimos anos.
"Os insultos e cânticos racistas nos envergonham como sociedade", afirmou o ministro da Justiça da Espanha, Félix Bolaños, horas após a partida disputada no RCDE Stadium de Cornellà, perto de Barcelona.
"Investigamos os cânticos islamofóbicos e xenófobos de ontem no RCDE Stadium", indicou ao mesmo tempo na rede X a polícia regional catalã, os 'Mossos d'Esquadra'.
- "Quem não pula" -
A partida, que terminou empatada em 0 a 0, foi marcada pelas vaias ao hino egípcio antes do início e pelos cânticos de "Quem não pula é muçulmano" durante o primeiro tempo por parte dos 35 mil torcedores presentes no estádio do Espanyol.
Pelo sistema de som e pelos telões do estádio, as autoridades pediram que os torcedores evitassem "cânticos ofensivos" no intervalo e no segundo tempo.
O astro da seleção da Espanha, Lamine Yamal, é muçulmano. O jogador do Barcelona, afetado pelo ocorrido, foi o único que não deu a volta no gramado para saudar os torcedores ao fim da partida. Nesta quarta-feira, o atacante declarou que os gritos xenófobos são algo "intolerável"
"Usar uma religião como zombaria em um estádio deixa vocês como pessoas ignorantes e racistas", acrescentou.
"Vergonha mundial", estampou em sua capa o jornal esportivo AS, com uma foto da mensagem exibida nos telões.
"A extrema direita não vai deixar um espaço livre de seu ódio e aqueles que hoje se calam serão cúmplices. Seguimos trabalhando por um país tolerante e respeitoso com todos", acrescentou o ministro da Justiça.
- "É preciso afastá-los da sociedade" -
"Os violentos aproveitam o futebol para ter seu espaço. É preciso afastá-los da sociedade, identificá-los e mantê-los o mais longe possível", declarou o técnico da seleção espanhola, Luis de la Fuente, ao chegar à sala de imprensa após a partida. "É intolerável", insistiu.
"As pessoas violentas utilizam o futebol para se fazerem presentes. É preciso afastá-las da sociedade, identificá-las e mantê-las o mais longe possível", reiterou o treinador, de 64 anos.
O presidente da Federação Espanhola, Rafael Louzán, classificou o caso como um "acidente isolado que não deve voltar a ocorrer".
O problema é que este é apenas o mais recente de uma série de episódios semelhantes que mancharam o futebol espanhol nos últimos anos, com o atacante brasileiro do Real Madrid Vinicius Junior, em particular, sendo repetidamente alvo de insultos racistas, o que demonstra que esse tipo de comportamento não é isolado no futebol espanhol.
- Episódios frequentes de racismo -
Em janeiro de 2023, torcedores do Atlético penduraram um boneco com a imagem de Vinicius em uma ponte próxima ao centro de treinamento do Real Madrid.
Em 2025, cinco torcedores do Real Valladolid que insultaram racialmente Vin Jr. em uma partida de 2022 foram considerados culpados por um tribunal por crime de ódio, no primeiro julgamento desse tipo na Espanha relacionado a insultos em um estádio de futebol.
Vários outros incidentes foram registrados, o mais recente quando torcedores do Albacete entoaram um cântico racista contra o atacante brasileiro fora de seu estádio antes de eliminar o Real Madrid da Copa do Rei em janeiro.
Mas Vinicius não foi o único a sofrer esses ataques nos estádios espanhóis, e outros jogadores, como o próprio Lamine Yamal e os irmãos Iñaki e Nico Williams, também receberam insultos racistas em diferentes arenas.
A Espanha será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Marrocos, um torneio que também terá partidas na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.
A imprensa espanhola afirmou que esse tipo de incidente pode afetar a organização do torneio e levar a Fifa a transferir a final para Marrocos, embora inicialmente a decisão esteja programada para Madri.
A.Malone--AMWN