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Elon Musk ignora chamado da Justiça francesa em caso sobre X e Grok
O bilionário sul-africano Elon Musk não se apresentou nesta segunda-feira (20) à Justiça francesa, que o havia chamado para um depoimento voluntário no âmbito de uma investigação sobre sua plataforma X, disse à APF o Ministério Público.
O X é alvo de uma investigação desde o início de 2025, após denúncias de deputados sobre o viés em seus algoritmos, que poderia ter alterado seu funcionamento e interferido na política francesa.
As investigações foram ampliadas para outros crimes, como cumplicidade na difusão de pornografia infantil, e para o papel do Grok, seu assistente de IA, na disseminação de conteúdos negacionistas e imagens falsas de caráter sexual.
No início de fevereiro, investigadores revistaram os escritórios do X em Paris. A plataforma, que negou qualquer irregularidade, qualificou as buscas como atos "políticos" e "abusivos".
Na ocasião, o Ministério Público de Paris anunciou que chamaria Musk para um depoimento voluntário, assim como a ex-diretora-geral Linda Yaccarino, como "administradores" do X à época dos fatos.
A promotora de Paris, Laure Beccuau, informou que funcionários do X também foram chamados a comparecer entre os dias 20 e 24 de abril "como testemunhas".
"O Ministério Público toma nota da ausência das primeiras pessoas convocadas", indicou o órgão nesta segunda-feira à AFP, confirmando uma informação do semanário Le Canard enchaîné.
Embora não mencione o nome do magnata, o órgão ressalta que a "presença ou ausência" dos chamados a depor "não constitui um obstáculo à continuidade das investigações".
Musk recebeu, nesta segunda-feira, o apoio do cofundador do Telegram, Pavel Durov, também investigado na França por atividades ilegais na sua plataforma.
"A França de [Emmanuel] Macron está perdendo legitimidade ao usar investigações criminais como arma para reprimir a liberdade de expressão e a privacidade", escreveu Durov no Telegram e no X.
A investigação sobre o X na França é parte de uma reação internacional mais ampla contra o Grok, diante das críticas de que os usuários podiam sexualizar imagens de mulheres e crianças com simples instruções escritas.
O Grok gerou cerca de três milhões de imagens sexualizadas em 11 dias, contabilizou no fim de janeiro o Center for Countering Digital Hate (CCDH), uma ONG de combate à desinformação.
No fim de janeiro, a União Europeia também abriu uma investigação contra o X pelas imagens de menores e mulheres nuas geradas pelo Grok.
A.Mahlangu--AMWN