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Suposto surto de hantavírus deixa cerca de 150 pessoas presas em cruzeiro em Cabo Verde
Dezenas de passageiros e membros da tripulação de um cruzeiro suspeito de estar afetado por um surto de hantavírus permaneciam isolados no navio na noite desta segunda-feira (4), em frente à costa de Cabo Verde, à espera de um local onde possam desembarcar.
O navio, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, encontrava-se em frente à cidade de Praia, capital deste arquipélago da África Ocidental, confirmou um fotógrafo da AFP.
O MV Hondius transportava 149 pessoas de 23 nacionalidades. De acordo com uma listagem oficial, a maioria dos passageiros é de Reino Unido, Espanha e Estados Unidos, e os tripulantes das Filipinas.
A operadora do cruzeiro, Oceanwide Expeditions, informou que um casal de holandeses e um alemão morreram após o suposto surto.
Além disso, relatou que um britânico estava em cuidados intensivos em Joanesburgo, na África do Sul, e dois membros da tripulação — um britânico e outro holandês — apresentavam sintomas da doença.
Maria Van Kerkhove, diretora interina do departamento de prevenção e preparação perante epidemias e pandemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse na noite desta segunda que, por ora, "não há nenhuma outra pessoa que apresente sintomas a bordo, mas a situação está sendo monitorada de perto".
"Foi solicitado aos passageiros que permaneçam em suas cabines e reduzam os riscos enquanto se realizam medidas de desinfecção", acrescentou.
Os hantavírus são transmitidos ao ser humano principalmente por roedores infectados. Podem provocar dificuldades respiratórias e cardíacas, e também febres hemorrágicas.
A OMS também informou no domingo sobre três mortes vinculadas a esse suposto surto do vírus.
O navio não recebeu autorização para atracar no porto de Praia, e ancorou na costa cabo-verdiana nesta segunda.
Equipes médicas subiram a bordo para examinar as duas pessoas infectadas, segundo as autoridades.
- Desembarque nas Ilhas Canárias? -
"Dois integrantes da tripulação apresentam atualmente sintomas respiratórios agudos" e "necessitam de atendimento médico urgente", segundo o comunicado da Oceanwide Expeditions.
A Direção Nacional de Saúde de Cabo Verde anunciou que havia solicitado a Reino Unido e Países Baixos o envio de ambulâncias aéreas "o mais rápido possível" para poder evacuar os pacientes.
"A OMS, em cooperação com as autoridades de Cabo Verde e dos Países Baixos, e a operadora do navio, trabalham para que as duas pessoas doentes sejam removidas para os Países Baixos para serem tratadas lá", disse Van Kerkhove.
O Ministério das Relações Exteriores holandês indicou que estava avaliando "as possibilidades de evacuação médica de algumas pessoas do barco".
Jake Rosmarin, um passageiro do MV Hondius que relata sua viagem nas redes sociais, contou nesta segunda-feira no Instagram que "há muita incerteza".
"Essa é a parte mais difícil. Tudo o que queremos agora é nos sentirmos seguros, ter respostas claras e voltar para nossas casas", garantiu.
As ilhas de Las Palmas e Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, estão sendo considerados como possíveis locais de desembarque dos passageiros, indicou a Oceanwide Expeditions.
A operadora explicou que, após uma primeira morte a bordo em 11 de abril, o corpo do passageiro, um holandês, foi retirado na ilha de Santa Helena (Reino Unido) em 24 de abril, acompanhado por sua esposa, que depois também morreu.
Em 27 de abril, um passageiro britânico ficou doente e foi evacuado para a África do Sul, onde foi submetido a exames que deram positivo para hantavírus, segundo a empresa de cruzeiros.
Um alemão faleceu a bordo em 2 de maio, sem que se tenha estabelecido a causa, acrescentou a Oceanwide Expeditions.
- 'Não há motivo para pânico' -
O dirigente destacou que as infecções por hantavírus são pouco frequentes e "não são transmitidas facilmente entre pessoas".
Em seu primeiro comunicado sobre a situação, a Oceanwide Expeditions, especialista em expedições polares, havia confirmado "uma grave situação médica" a bordo do MV Hondius. Posteriormente, anunciou as três mortes.
Embora tenha sido confirmado o contágio por hantavírus no caso do britânico em cuidados intensivos em Joanesburgo, ainda não se sabe se esse vírus provocou as três mortes, segundo a empresa de cruzeiros.
"A causa exata e qualquer vínculo possível estão sob investigação", indicou o operador do navio.
Devido à falta de vacinas e medicamentos específicos contra os hantavírus, os tratamentos limitam-se ao alívio dos sintomas.
burs-cbw/ahg/erl/jvb/dbh/ad/rpr
T.Ward--AMWN