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Queda da ajuda internacional coloca luta contra HIV em risco, diz ONU
Os cortes significativos na ajuda internacional estão desorganizando a luta contra o HIV e colocam em risco décadas de avanços, advertiu nesta sexta-feira (12) a agência da ONU encarregada de combater a doença.
"É a primeira vez que a luta contra o HIV é tão afetada desde que o mundo começou a se mobilizar contra essa doença", afirmou em entrevista à AFP Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids.
A luta contra o HIV está "em perigo por causa dos cortes repentinos" na ajuda internacional, acrescentou.
Essa redução faz parte de uma tendência geral em vários países desenvolvidos. As decisões mais drásticas foram tomadas pelos Estados Unidos, no segundo mandato de Donald Trump, que praticamente desmontou a agência americana dedicada ao tema, a Usaid.
Mas outros países, como Alemanha, França e Reino Unido, também reduziram de forma significativa sua ajuda internacional, o que colocou muitas ONGs em dificuldade e afetou a luta contra doenças como a aids, que atingem sobretudo as regiões mais pobres do mundo.
Em seu novo relatório, o Unaids aponta efeitos concretos desse fenômeno. Por exemplo, entre 2024 e 2025, o número de pessoas que tomam a PrEP, um tratamento preventivo crucial na luta contra o HIV, caiu 38% em cerca de 60 países analisados.
Os fundos destinados à distribuição de preservativos, essenciais contra a propagação do HIV, despencaram 90%, segundo o relatório. Os recursos destinados a garantir o acesso a programas de prevenção caíram 80%.
O Unaids estima que 570 mil pessoas morreram de aids no ano passado e que 1,2 milhão foram infectadas. Embora esses números mantenham a tendência de queda observada desde 2010, a agência alerta que ainda não refletem o impacto da redução da ajuda internacional.
- Uma decisão "política" -
Além disso, entre 2010 e 2025, as novas infecções por HIV seguiram trajetórias muito diferentes conforme a região.
O número de novas infecções aumentou 13% na América Latina, um retorno ao crescimento que se soma ao aumento observado na Europa Oriental e na Ásia Central (+15%) e, de forma muito mais acentuada, no Oriente Médio e Norte da África (+77%).
Em contraste, outras regiões alcançaram avanços importantes: o Caribe reduziu suas novas infecções em 30%, e a Europa Ocidental, a Europa Central e a América do Norte as reduziram em 13%.
Desde o colapso da ajuda internacional, mais de cinquenta países se comprometeram a ampliar, por conta própria, os recursos destinados a combater o HIV em seus territórios.
Bolívia, Brasil, Chile, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Peru e Equador figuram entre os latino-americanos que assumiram o compromisso de reforçar, com recursos próprios, seus programas de prevenção e atenção.
Byanyima celebra esse avanço, mas alerta que "não irá compensar" a queda dos recursos internacionais.
Novas ferramentas terapêuticas surgiram nos últimos anos, entre elas o lenacapavir, desenvolvido pelo laboratório Gilead.
Esse medicamento demonstrou grande eficácia tanto na prevenção quanto no tratamento do HIV, graças à sua ação prolongada e ao fato de não exigir administrações frequentes. No entanto, seu acesso continua concentrado quase exclusivamente nos países mais desenvolvidos.
B.Finley--AMWN