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Polícia busca suspeito do ataque mortal perto da Marcha do Orgulho em Berlim
A polícia alemã está à procura, neste domingo (26), do principal suspeito de um ataque deliberado contra pedestres perto da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim, que deixou um morto e 16 feridos.
A polícia afirmou haver indícios de que o suspeito agiu com base em ideologia islamista e pode estar armado e ser perigoso.
O incidente, ocorrido na noite de sábado, interrompeu o que seria um dia de celebração para as centenas de milhares de pessoas que participavam de um dos maiores eventos do Orgulho LGBTQIA+ da Europa.
- O ataque -
Pouco antes das 22h00 (17h00 em Brasília) de sábado, um veículo branco atropelou várias pessoas na extremidade sul do Parque Tiergarten, no centro de Berlim, antes de colidir com uma árvore.
A polícia explicou que "uma ou mais" pessoas abandonaram o veículo e fugiram do local. Também foi relatado que várias pessoas sofreram ferimentos com faca.
Um porta-voz do corpo de bombeiros indicou que uma pessoa morreu e 16 ficaram feridas. Três delas estão em estado grave.
O ataque ocorreu a algumas centenas de metros do final do percurso da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ e do palco principal no Portão de Brandemburgo, em Berlim.
O veículo, descrito pela polícia como uma "van pequena ou SUV", ainda estava no local neste domingo, visivelmente danificado pelo impacto com a árvore. Fileiras de policiais vasculhavam a área em busca de pistas.
Pouco depois do ataque, as festividades foram canceladas e os participantes foram orientados a deixar a área.
Apesar das buscas no parque com helicópteros equipados com câmeras de detecção térmica, a polícia não conseguiu localizar o suspeito imediatamente após o incidente.
- O suspeito -
A polícia identificou Abdul B., de 21 anos, como o principal suspeito neste caso e pediu ao público qualquer informação sobre seu paradeiro, incluindo uma foto.
Ele é descrito como magro, com aproximadamente 1,90 m de altura, cabelo preto e vestia um moletom preto com capuz e calças brancas.
A polícia alertou que, em hipótese alguma, ele deve ser abordado ou contactado diretamente, pois pode estar armado e ser perigoso.
Um porta-voz da polícia disse a repórteres que Abdul B. supostamente tem vínculos com "círculos islamistas".
- As reações -
O prefeito de Berlim, Kai Wegner, condenou um ataque "da maneira mais brutal" contra "uma manifestação por uma Berlim tolerante e pacífica".
O chefe do governo, chanceler Friedrich Merz, prometeu levar à justiça os responsáveis por este "ato abominável".
A presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, afirmou que o Orgulho de Berlim "representa a liberdade, a dignidade e a igualdade de direitos, valores fundadores da UE".
"Todas as pessoas deveriam poder viver sem medo, amar e defender os seus direitos", disse.
Nas redes sociais, membros da comunidade LGBTQIA+ de Berlim indicaram que uma vigília seria organizada neste domingo, às 14h00 (horário local) em frente ao Portão de Brandemburgo, para que as pessoas pudessem lamentar as vítimas do ataque.
- Os antecedentes -
O ataque de sábado lembra uma série de ataques semelhantes nos últimos anos que reacenderam o debate sobre imigração, já que vários dos autores eram de origem estrangeira.
O mais mortal dos últimos anos foi um atropelamento massivo em um mercado de Natal em Berlim, em dezembro de 2016, perpetrado por um cidadão tunisiano com motivações jihadistas, que matou 13 pessoas.
Nos meses que antecederam as eleições gerais do ano passado, houve uma onda de ataques em espaços públicos, alguns deles realizados por agressores com motivações islamistas.
No entanto, o pior incidente desse período foi um ataque com veículo em um mercado de Natal lotado na cidade de Magdeburg, no leste do país, realizado por um psiquiatra saudita e ativista anti-islã.
No mês passado, esse homem, Taleb Jawad al-Abdulmohsen, foi condenado à prisão perpétua por esse ataque, no qual seis pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas.
M.Fischer--AMWN