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Irã estende a mão aos EUA e agradece à Rússia por seu posicionamento na guerra
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou, nesta terça-feira (1º), que seu país está disposto a corresponder a qualquer iniciativa dos Estados Unidos para retomar o acordo de junho, destinado a pôr fim ao conflito entre os dois países, e agradeceu ao seu par russo, Vladimir Putin, pelo posicionamento de Moscou durante a guerra.
Rússia e Irã têm reforçado intensamente seus vínculos militares e comerciais desde o início da invasão russa da Ucrânia, há quatro anos e meio.
Putin e Pezeshkian mantiveram diálogos no âmbito da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) em Bishkek, Quirguistão.
O encontro reúne 17 chefes de Estado e de governo, entre eles os dirigentes de Rússia, Irã, China, Índia, Paquistão e Turquia.
O presidente americano, Donald Trump, advertiu Rússia e China, na segunda-feira, contra qualquer fornecimento de armas ao Irã.
Trump também ameaçou atingir o Irã "com força" após a primeira troca de ataques entre os dois países em várias semanas.
Durante a cúpula, Pezeshkian afirmou que, se os Estados Unidos voltarem a aplicar o acordo alcançado em junho para pôr fim a meses de hostilidades, o Irã "tomará imediatamente medidas recíprocas", segundo a Presidência iraniana.
O acordo, concebido como uma base para negociações de paz definitivas, ficou em suspenso depois que as duas partes trocaram acusações de descumprimento de seus termos.
Pezeshkian advertiu, ainda, que um retorno dos Estados Unidos a uma política de "pressão e ameaças" poderia fazer os esforços diplomáticos saírem dos trilhos.
Mais tarde, reuniu-se com Putin, a quem agradeceu pelo posicionamento adotado por Moscou durante a guerra. "Agradecemos por suas posições em cada etapa", declarou.
"Isto demonstra que nossa relação é estratégica, não se trata de uma relação corriqueira", acrescentou.
- Putin admira a "coragem" do Irã -
Putin assegurou que a Rússia está tentando dar assistência ao Irã e elogiou a atitude de Teerã perante o conflito.
"Admiramos sua coragem e sua resiliência na defesa de seus interesses nacionais", declarou o presidente russo, segundo veículos de imprensa de seu país.
"Apesar da situação militar e política, seguimos mantendo a dinâmica de nossas relações comerciais e econômicas do ano passado", acrescentou.
Rússia e Irã estão submetidos a sanções internacionais e se tornaram cada vez mais dependentes um do outro.
Os Estados Unidos disseram na segunda-feira que seguirão adiante com sua estratégia de pressão para enfraquecer a economia iraniana.
A guerra no Oriente Médio começou no fim de fevereiro a partir de ataques americanos e israelenses contra o Irã, nos quais seu guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morreu.
Após um mês de calma em agosto, os Estados Unidos atacaram, na segunda-feira, o estratégico Estreito de Ormuz e o Irã visou, em represália, alvos americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.
Teerã mantém fechada esta passagem marítima, embora tenha afirmado que voltará a cumprir os compromissos assumidos no acordo de junho, que incluíam a reabertura do estreito, se Washington fizer o mesmo.
- 'Um mundo multipolar' -
No âmbito da cúpula, Putin se reuniu na segunda-feira com seu homólogo chinês, Xi Jinping.
Xi afirmou que os vínculos entre China e Rússia se tornaram "mais sólidos", enquanto Putin afirmou que a cooperação bilateral "avança com sucesso em todos os âmbitos".
A economia russa se tornou cada vez mais dependente da China desde o começo da ofensiva contra a Ucrânia.
Tradicionalmente concentrada na cooperação econômica, a OCX ampliou progressivamente sua influência para outros âmbitos, sob o impulso de Moscou e Pequim.
"A Carta das Nações Unidas deve seguir sendo uma fonte fundamental do direito internacional", declarou Putin perante o fórum nesta terça-feira.
No entanto, acrescentou que "é evidente que nossas estruturas regionais multilaterais (...) estão se integrando de forma natural à arquitetura de um mundo multipolar junto às Nações Unidas".
Além de seus dez Estados-membros, a organização conta agora com 15 países associados na qualidade de "parceiros de diálogo", entre eles Turquia, Arábia Saudita e Catar, assim como dois países observadores: Afeganistão e Mongólia.
bk-burs/meb/ahg/mvv/a
Th.Berger--AMWN