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Justiça da Colômbia ordena suspensão de bombardeios a acampamentos da guerrilha com menores
Um juiz da Colômbia determinou, nesta quinta-feira (3), que o governo do presidente direitista Abelardo de la Espriella suspenda os bombardeios militares contra acampamentos da guerrilha quando houver informação sobre a presença de menores recrutados.
Apoiado pelo presidente americano, Donald Trump, o novo chefe de Estado colombiano, que chegou ao poder em 7 de agosto, impõe a linha-dura no enfrentamento das máfias do narcotráfico, com bombardeios letais e extradições em massa para os Estados Unidos.
A ordem judicial se aplica ao departamento amazônico de Guaviare (sul), onde De la Espriella ordenou recentemente dois ataques aéreos que mataram ao menos 33 dissidentes da extinta guerrilha das Farc.
No último domingo, a autoridade forense informou que entre os mortos na primeira operação havia três menores entre 15 e 16 anos. Ainda não se sabe se havia menores entre as vítimas do mais recente.
Um tribunal da cidade de San José del Guaviare ordenou "a suspensão temporária" dos bombardeios contra acampamentos de grupos armados "quando houver informação de inteligência" ou outros alertas sobre "a possível presença de crianças e adolescentes".
A medida cautelar, à qual a AFP teve acesso, estará vigente enquanto o juiz analisar um recurso judicial apresentado por um cidadão contra o governo e as Forças Militares pela suposta violação dos direitos fundamentais dos menores.
O governo enfrenta duras críticas de parte da oposição e de organizações de defesa dos direitos humanos.
"Sabemos que é preciso submeter estes grupos armados. Mas a pergunta é: o que fazemos com estas crianças?", questionou, em declarações à AFP, o cientista político e estudante de direito Roxemhberg Rozo, de 35 anos, que apresentou o recurso legal.
"A resposta governamental não pode ser bombardeá-los e matá-los", disse.
De la Espriella expressou, na última segunda-feira, seu "apoio" a estes bombardeios contra "os bandidos que durante décadas recrutaram menores para transformá-los em combatentes ou em escudos humanos".
O Ministério da Defesa argumentou que a operação cumpriu com "todos os padrões legais".
O presidente é alvo de várias críticas por ter divulgado um vídeo no qual comemora um dos bombardeios, enquanto caminha em meio a cerca de 20 corpos de guerrilheiros mortos, cobertos por lençóis brancos.
A morte de menores em bombardeios militares também ocorreu durante os governos do esquerdista Gustavo Petro (2022-2026) e do direitista Iván Duque (2018-2022).
Um dos ministros da Defesa de Duque renunciou, pressionado por moções de censura no Congresso por causa destas operações.
No ano passado, foram registrados 428 casos de recrutamento de menores por parte de grupos armados, segundo a Defensoria do Povo. Do início deste ano até 31 de julho, foram 97.
D.Moore--AMWN