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Meta começa a testar substituto da checagem de fatos na América Latina
A Meta anunciou, nesta quarta-feira (9), que começou a testar suas Notas da Comunidade em 16 países de língua espanhola da América Latina, um passo em direção à substituição do programa de checagem profissional de conteúdos realizado por jornalistas na região.
O anúncio foi imediatamente questionado pela Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês), que afirmou que o programa da Meta "não é suficiente quando se trata de reduzir o impacto de informações falsas prejudiciais" nas redes sociais. A AFP é integrante da IFCN.
O sistema colaborativo, inspirado no modelo usado pela rede social X, de Elon Musk, foi desenvolvido para substituir as checagens realizadas por redações e agências especializadas, programa que a Meta encerrou nos Estados Unidos no ano passado.
A medida abrange Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O Brasil, que realizará eleições presidenciais em outubro e é o maior mercado das plataformas da Meta na região, não foi incluído.
"O lançamento completo em determinado país, que inclui começar a publicar Notas da Comunidade e migrar gradualmente o programa de checagem independente, ocorrerá quando tivermos confiança de que o produto funciona corretamente", afirmou a Meta em comunicado.
Phil Chetwynd, diretor de Informação da AFP, afirmou nesta quarta-feira que as equipes de checagem da agência na região realizaram durante oito anos "um trabalho excepcional", elogiado pela própria Meta.
Chetwynd ressaltou que os dois sistemas não deveriam ser tratados como alternativas. "Pesquisas confiáveis sugerem que as Notas da Comunidade só podem ser eficazes quando os colaboradores podem se apoiar em jornalismo verificado, produzido de forma ética, e em outras fontes de alta qualidade ao redigir suas notas", afirmou.
"A checagem de fatos e as Notas da Comunidade devem andar de mãos dadas. O que importa é a qualidade das notas, não a quantidade", acrescentou.
- Avanço da extrema direita -
O anúncio ocorre em um momento em que um número crescente de candidatos conservadores e de extrema direita chegou à Presidência de países latino-americanos com promessas de desregulamentação, políticas de linha-dura e resultados rápidos no combate ao narcotráfico e ao crime. Esses políticos têm como referências os presidentes salvadorenho, Nayib Bukele, e americano, Donald Trump, e receberam apoio dos Estados Unidos.
Eles adotam fortes estratégias nas redes sociais, onde circula desinformação, para promover sua imagem e disseminar propaganda. Em El Salvador, foi identificado o uso de "fazendas de trolls" para criar simpatizantes fictícios e simular apoio ao governo.
Muitos buscam projetar uma imagem de governantes de ação: o presidente do Equador aparece de colete à prova de balas em operações policiais; o da Colômbia, vestido de verde-oliva ao lado de militares e entre sacos brancos com corpos de guerrilheiros; e o do Chile, na árida fronteira com a Bolívia ao anunciar uma vala para impedir a passagem de migrantes.
Em sua maioria, esses governantes — assim como líderes na Europa e nos Estados Unidos — se opõem a programas de checagem de conteúdos nas redes sociais, que acusam de serem tendenciosos.
A Meta lançou as Notas da Comunidade nos Estados Unidos em janeiro de 2025. Segundo a empresa, trata-se de "uma forma colaborativa para que as pessoas que usam nossas plataformas acrescentem informações de contexto às publicações no Facebook, Instagram e Threads".
De acordo com a Meta, as Notas da Comunidade reúnem "mais de 1,4 milhão de colaboradores, que produziram mais de 50.000 publicações" desde o lançamento.
"O programa de Notas da Comunidade, por si só, simplesmente não é suficiente quando se trata de reduzir o impacto de informações falsas prejudiciais nas plataformas de redes sociais", afirmou em comunicado Angie Holan, diretora da IFCN.
A AFP participa, em mais de 26 idiomas, de um programa de checagem de fatos desenvolvido pelo Facebook, que contrata para esse trabalho mais de 80 veículos de comunicação em todo o mundo.
G.Stevens--AMWN