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Economia da França 'perde fôlego' antes de ano eleitoral incerto
Crescimento em marcha lenta, inflação em alta, dívida e déficit disparados... A França "perde fôlego" perante seus vizinhos da União Europeia, alertam as autoridades francesas a sete meses de uma eleição presidencial em que candidatos populistas aparecem na liderança.
A segunda economia da União Europeia celebrará em abril e maio de 2027 uma eleição presidencial crucial para o bloco. A líder da extrema direita Marine Le Pen lidera as pesquisas e poderia enfrentar no segundo turno o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon.
Tudo isso em um contexto de sensação de declínio entre os eleitores após quase dez anos do liberal Emmanuel Macron na Presidência. Macron chegou ao poder vindo do centro do tabuleiro político com uma imagem de "Mozart das finanças", agora questionada.
A previsão de crescimento econômico do governo para 2026 passou de 0,9% em abril para 0,7% em julho e 0,5% nesta sexta-feira, devido ao episódio de seca e calor extremo durante o verão, ao impacto na energia do conflito no Irã e à incerteza política.
"Ao contrário de seus vizinhos, a economia francesa perdeu fôlego. Diferentemente do resto da Europa, a atividade recuou neste inverno e permaneceu estagnada na primavera. É uma surpresa que não tínhamos previsto", advertiu na quinta-feira Dorian Roucher, do instituto oficial de estatísticas Insee, depois que este revisou para baixo sua previsão de crescimento para 2026 a 0,4%. Em 2025, o crescimento foi de 0,9%.
Há quatro anos, o Produto Interno Bruto per capita caiu abaixo da média da UE na França e as finanças públicas registram níveis elevados de endividamento, com um déficit de 5,1% do PIB em 2025 e uma dívida pública de 3,5 trilhões de euros (o equivalente a 21 trilhões de reais), 118% do PIB.
A taxa de juros da dívida francesa em dez anos alcançou, por sua vez, 4,4 %, seu nível mais alto desde 2008.
Além disso, quando a perda do poder aquisitivo é uma das principais preocupações dos franceses em um contexto de mercado de trabalho degradado, a inflação poderia chegar a 2,9% até o fim do ano, meio ponto a mais que em agosto, segundo o Insee.
- Um ano "muito complicado" -
Mas 40% dos franceses empregados já dizem que seu salário não basta para cobrir todos os gastos, segundo um indicador da precariedade, apresentado na quinta-feira (10) pela ONG Secours Populaire Français.
"Este ano ficou muito complicado. Cheguei a pagar 250 euros (cerca de R$ 1,5 mil de calefação) por mês, então começa a doer", confidencia Virginie, uma mulher de 51 anos de Roubaix, no norte da França.
Estes dados aumentam a pressão sobre o governo, em meio a pedidos de cortes importantes para sanear as contas públicas e evitar uma crise nos mercados, e aumentar os salários e bloquear o preço do combustível para aliviar o bolso dos franceses.
"Estamos em um marco orçamentário restritivo. Para dizer simplesmente, não temos mais margem", advertiu, nesta sexta-feira (11), o ministro da Economia e Finanças Roland Lescure, pedindo a adoção de contas para 2027 "o quanto antes".
Mas esta adoção se anuncia tensa em pleno contexto eleitoral e com o precedente de que dois primeiros-ministros de Macron já caíram durante este trâmite no Parlamento, onde o governo não tem maioria.
Mélenchon pediu para os empresários aumentarem os salários para evitar uma recessão, enquanto o ultradireitista Jordan Bardella reivindicou uma redução do IVA sobre o combustível após destacar o "fracasso" do governo sobre o poder aquisitivo.
Se o governo não baratear a energia, o líder comunista Fabien Roussel convocou os franceses a "se mobilizarem nas rotatórias", como aconteceu durante os intensos protestos sociais dos chamados coletes amarelos em 2018, que sacudiram o primeiro mandato de Macron.
burs-tjc/pc/mvv/aa
F.Bennett--AMWN