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Diretor da AIE é pessimista quanto a uma 'normalização' do mercado do petróleo em 2027
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), o turco Fatih Birol, afirmou nesta terça-feira (20) que não vê nenhuma "perspectiva credível" de normalização do mercado do petróleo em 2027 e não descarta recorrer a mais reservas estratégicas caso a tensão aumente.
"Pessoalmente, não vejo nenhuma perspectiva credível de que 2027 seja um ano de normalização do mercado do petróleo", declarou Birol nesta terça-feira (20), em Londres, durante uma cúpula sobre a transição energética organizada pelo jornal Financial Times.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de a AIE adotar novas medidas, Birol afirmou que não descarta que os governos recorram a outras reservas estratégicas caso as dificuldades de abastecimento se agravem.
"Os 400 milhões de barris — mobilizados desde março — representam uma quantidade considerável, mas correspondem a apenas 20% do petróleo de que dispomos. Os 80% restantes permanecem em reserva", respondeu o diretor da AIE, organização que reúne 32 países-membros para garantir a segurança energética.
Em março, a AIE anunciou a liberação de 400 milhões de barris, aproximadamente 20% dos mais de 1,8 bilhão armazenados pelos países ou pela indústria em virtude de obrigações governamentais.
Em meados de outubro, cerca de 330 milhões desses barris já haviam sido colocados no mercado, segundo a AIE.
Enquanto isso, as tensões no mercado de diesel levaram os Estados-membros a acelerar a liberação dos "aproximadamente 100 milhões de barris restantes", dando prioridade ao diesel.
Em seu relatório mensal sobre os mercados do petróleo, publicado na última quarta-feira, a AIE já havia avaliado que a recuperação da produção mundial de diesel no início de 2027 seria insuficiente para compensar o déficit acumulado em 2026.
Nesta terça-feira, Birol também lamentou a "perda de importância das mudanças climáticas na agenda política internacional, apesar do número, da frequência e da intensidade dos fenômenos meteorológicos extremos".
"Em um mundo normal, haveria mais atenção a isso, mas o interesse está diminuindo", acrescentou, em um momento em que a COP31 — a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que começa oficialmente em novembro — já está sendo acusada por organizações ambientalistas de falta de ambição.
F.Pedersen--AMWN