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França convoca 70 mil agentes para evitar novos distúrbios
O governo francês anunciou nesta sexta-feira (23) a mobilização de 70.000 policiais e gendarmes para evitar novos distúrbios durante os protestos sociais previstos para sábado.
A segunda economia da União Europeia viveu no sábado passado um dos maiores episódios de violência urbana dos últimos anos, seis meses antes de os franceses escolherem o sucessor do presidente Emmanuel Macron.
Diante da nova manifestação convocada pelo movimento dos coletes amarelos, que já sacudiu o primeiro mandato de Macron, e pelos alunos do ensino médio que reivindicam desde setembro melhores condições de estudo, o governo prometeu uma "mobilização policial maciça".
O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a presença dos agentes além de "cerca de vinte veículos blindados" da gendarmaria e 15 caminhões com canhões de água da polícia, entre outros.
"Constatamos que há muitos chamados do movimento da extrema esquerda e da extrema esquerda radical", assim como "chamados nas redes sociais para cometer abusos" e "saques", declarou em coletiva de imprensa.
As autoridades atribuem os distúrbios a "pequenos grupos de extrema esquerda" — antifascistas, anarquistas e anarcoautônomos —, aos quais teriam se somado "criminosos oportunistas, especialmente jovens e oriundos dos subúrbios das grandes cidades, para saquear lojas.
- Reunião com estudantes -
Os distúrbios da semana passada aconteceram à margem de grandes manifestações para denunciar o aumento do custo de vida, às quais se juntaram os estudantes do ensino médio.
Sob a pressão dos sindicatos e da oposição de esquerda, que criticam o governo por adotar uma política repressiva em vez de responder às reivindicações sociais, o chefe de Estado francês se reunirá às 15h locais (10h em Brasília) com as organizações estudantis.
"Ele vai nos ouvir, fingir que entendeu e depois não vai acontecer nada", comentou, cético, Pierre Sourzat, da organização Lycéens. Os estudantes denunciam a falta de professores, a deterioração das salas de aula e a falta de transparência do sistema Parcoursup de acesso ao ensino superior.
Na quinta-feira, milhares de estudantes do ensino médio e universitários voltaram às ruas de Paris, em uma marcha que as autoridades tentaram proibir sem sucesso, para defender que "não é a educação que é cara, e sim o Exército" e denunciar a atuação policial contra os manifestantes.
"É importante que o movimento continue, porque está começando a funcionar e é preciso ir até o fim", ressaltou Baptiste Anglade, estudante de engenharia de 22 anos.
Embora o governo anuncie uma série de medidas na segunda-feira, sua margem de manobra é limitada, enquanto busca aprovar um forte ajuste fiscal nos orçamentos de 2027 para reduzir o elevado nível da dívida e do déficit públicos e tranquilizar os mercados.
- "Deixar a polícia agir" -
Para retomar o controle, o chefe de Estado assegurou que só permitirão manifestações de atores "legítimos", como os sindicatos. Em Paris, a manifestação autorizada foi solicitada pela central CGT.
Muitos dos distúrbios da semana passada ocorreram durante protestos não autorizados. Os comerciantes temem uma nova jornada de saques.
Comerciantes protegeram as vitrines de seus estabelecimentos com tábuas de madeira na capital francesa, enquanto outros pensam em não abrir ou defenderão eles mesmos suas lojas.
"Vi tacos de beisebol, barras de ferro e espingardas de caça", afirmou nesta sexta-feira o presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França, que os instou a "baixarem as portas" e "deixarem a polícia agir".
Os museus do Louvre, Orsay e Picasso permanecerão excepcionalmente fechados no sábado.
burs-tjc/mab/jc/aa
A.Malone--AMWN