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Tecnologia nas escolas: uma falsa boa ideia, segundo a Unesco
Computadores distribuídos sem trabalho pedagógico prévio, conhecimento básico perdido e divulgação de informações pessoais dos alunos: esses são os motivos pelos quais a Unesco afirma que a tecnologia nas escolas não é um milagre e pode ter "efeitos nefastos" - e, por isso, deve ser regulamentada.
A tecnologia digital "melhorou drasticamente o acesso a recursos de ensino e aprendizagem", particularmente na Etiópia e na Índia, onde bibliotecas online extremamente populares surgiram e o ensino à distância salvou a educação durante a pandemia da covid-19.
No entanto, essas tecnologias foram promovidas com algumas adulterações por seus fabricantes.
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), apontou que há uma "falta" de dados "imparciais" sobre o impacto das tecnologias educacionais.
"Muitas das evidências vêm de entidades que buscam vender essas tecnologias", lamenta a organização no estudo chamado "Tecnologias na Educação: Quem está no comando?", publicado nesta quarta-feira (26).
- Foco nos resultados -
Portanto, devemos "focar nos resultados da aprendizagem e não nos recursos digitais", destacou a Unesco.
No Peru, "quando mais de um milhão de notebooks não integrados à pedagogia foram distribuídos, o aprendizado não melhorou", aponta o relatório.
"Nos Estados Unidos, uma análise de mais de dois milhões de estudantes revelou que as desigualdades de aprendizagem se alargaram quando o ensino era ministrado exclusivamente à distância", continua o texto.
As tecnologias podem ser "desastrosas" se usadas "inapropriadamente ou excessivamente".
A Unesco enfatiza que uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sugere "uma ligação desfavorável entre o uso excessivo de tecnologias de informação e comunicação e o desempenho dos alunos".
Foi descoberto em 14 países que "a mera proximidade de um dispositivo móvel pode distrair os alunos e impactar negativamente o aprendizado".
- Ética -
Somam-se a isso questões éticas, pois "os dados pessoais das crianças estão expostos".
Segundo a Unesco, que citou outro estudo, "89% dos 163 produtos de tecnologia educacional recomendados durante a pandemia poderiam monitorar crianças". Entretanto, "apenas 16% dos países garantem explicitamente e por lei a privacidade dos dados na educação".
É inegável que "todos", inclusive os estudantes, "devem aprender sobre tecnologia", porque "atualmente ela faz parte de nossas habilidades básicas", diz o diretor do relatório, Manos Antoninis, em entrevista à AFP.
Mas, de acordo com o diretor, isso não requer necessariamente tecnologia.
As "crianças que sabem ler melhor têm cinco vezes mais chances de não serem enganadas por e-mails fraudulentos", garante o especialista. Isso não requer "nada tecnologicamente avançado, mas boa capacidade de leitura e pensamento crítico".
Em comunicado à imprensa, a Unesco clama por uma "regulamentação da forma como as novas tecnologias são utilizadas na educação", onde o governo não atua e há falta de "regulamentação adequada".
A revolução digital, que tem um "potencial tremendo", deve ser "enquadrada" na educação, assim como no resto da sociedade, opina a diretora-geral da ONU para Educação, Ciência e Cultura, Audrey Azoulay.
Ela acrescenta que "a tecnologia deve melhorar o processo de aprendizagem e servir ao bem-estar de alunos e professores, em vez de ser usada em seu detrimento".
"É preciso colocar as necessidades do aluno em primeiro lugar e apoiar o trabalho dos professores. As interações online não podem, de forma alguma, substituir as interações humanas", segundo Azoulay.
B.Finley--AMWN