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Israel anuncia que 'intensificará' suas operações em Rafah
Israel anunciou nesta quinta-feira (16) que seu Exército "intensificará" as operações terrestres em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, apesar das advertências internacionais sobre uma ofensiva em grande escala nesta cidade onde centenas de milhares de palestinos deslocados buscam refúgio.
"Entrarão mais tropas" em Rafah, e "a atividade [militar] se intensificará", declarou o ministro da Defesa, Yoav Gallant, citado no comunicado dos militares um dia após sua visita a Rafah.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu destruir o movimento islamista palestino após o ataque de 7 de outubro e considera necessária uma grande operação em Rafah, onde, segundo ele, estão localizados os últimos redutos do grupo.
A operação e suas consequências para os civis preocupam a comunidade internacional, começando pelos Estados Unidos, principal aliado de Israel.
Em uma tentativa de colocar fim à guerra, a Liga Árabe reunida no Bahrein pediu o estabelecimento de uma força de manutenção de paz da ONU nos territórios palestinos ocupados até que seja implementada uma solução de dois Estados.
O Exército israelense informou as mortes de cinco soldados por 'fogo amigo' contra um edifício onde se reuniam na noite de quarta-feira, no campo de refugiados de Jabalya, no norte de Gaza. Um total de 278 soldados israelenses foram mortos desde que as tropas de Israel entraram no território palestino em 27 de outubro.
Apesar dos confrontos na região, o patriarca latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, fez uma "visita pastoral" a Gaza, para transmitir uma "mensagem de esperança, solidariedade e apoio", anunciou o Patriarcado nesta quinta-feira.
- Cais para enviar ajuda -
Por outro lado, os Estados Unidos anunciaram que suas tropas terminaram de instalar um cais temporário em uma praia de Gaza, com o objetivo de facilitar a entrada de ajuda humanitária.
"Há poucas horas, o cais foi colocado de forma bem-sucedida na praia de Gaza", declarou o vice-almirante Brad Cooper, comandante adjunto do Comando Central dos Estados Unidos.
Espera-se que a ajuda humanitária "comece a desembarcar nos próximos dias", declarou o Comando Militar americano para o Oriente Médio (Centcom) na rede social X. A carga será entregue à ONU, que "coordenará a distribuição em Gaza".
O cais, que custou pelo menos US$ 320 milhões (quase R$ 1,7 bilhão na cotação atual), é parte dos esforços internacionais para contornar as restrições de acesso terrestre à Faixa de Gaza impostas por Israel.
ONU estima que a fome ameaça a maior parte dos 2,4 milhões de habitantes da Faixa devido à guerra entre Israel e o Hamas.
- África do Sul na CIJ -
Nesta quinta-feira, a África do Sul acusou Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ) de intensificar o que classificou como "genocídio" em Gaza e pediu ao tribunal que ordene o fim da ofensiva israelense em Rafah.
Na sexta-feira, será a vez da réplica de Israel, que defende seu compromisso "inabalável" com o direito internacional e assegura que as alegações são "totalmente infundadas" e "moralmente repugnantes".
Em uma sentença emitida em janeiro, a CIJ ordenou a Israel que fizesse tudo que fosse possível para evitar atos de genocídio e permitisse a entrada de ajuda humanitária em Gaza, mas não pediu um cessar-fogo.
Netanyahu afirmou que Israel evitou uma "catástrofe humanitária" em Rafah, alegando que "quase meio milhão de pessoas" deixaram a cidade, onde o Exército israelense executa operações desde 6 de maio.
Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), "600.000 pessoas fugiram de Rafah desde a intensificação das operações militares".
- Hamas "está aqui para durar" -
O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, disse na quarta-feira que o movimento islamista decidirá com outras facções palestinas como governar Gaza após a guerra com Israel.
"Falamos que o Hamas está aqui para durar (...) e corresponderá ao movimento e a todas as facções nacionais (palestinas) decidir sobre a forma de governo em Gaza", declarou Haniyeh em um discurso exibido na televisão.
O ministro da Defesa, Yoav Gallant, declarou na quarta-feira que se opõe a que seu país tenha qualquer responsabilidade, militar ou civil, no governo de Gaza após a guerra.
O conflito eclodiu após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro, que matou mais de 1.170 pessoas, a maioria civis, de acordo com uma contagem baseada em dados oficiais israelenses.
As represálias militares de Israel deixaram ao menos 35.272 mortos, majoritariamente civis, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, governada pelo Hamas desde 2007.
Na Cisjordânia ocupada, onde a guerra em Gaza exacerbou a violência, três pessoas morreram em ações do Exército israelense, anunciaram fontes palestinas nesta quinta-feira.
D.Sawyer--AMWN