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Novo governo da França dá os primeiros passos sob pressão da extrema direita
O novo Governo inclinado à direita do presidente francês, Emmanuel Macron, começou nesta segunda-feira (23) a dar os primeiros passos sob a ameaça de uma moção de censura da esquerda e da vontade de "influência" da extrema direita.
Durante uma primeira reunião pela manhã, o primeiro-ministro, Michel Barnier, exortou o seu governo a ser "irrepreensível e modesto" e a "respeitar" "todos os partidos", em plena crise política.
A França entrou em uma nova fase desta crise, que Macron provocou ao antecipar inesperadamente para junho as eleições legislativas de 2027, cujo resultado foi uma Assembleia Nacional (câmara baixa) dividida, sem maiorias claras.
Para resolver o problema, o presidente, que não pode dissolver novamente a Assembleia até julho, nomeou o conservador Barnier como primeiro-ministro dois meses depois com a tarefa de formar um governo de "unidade".
Mas o político veterano, de 73 anos, só conseguiu atrair a aliança de centro-direita de Macron, no poder desde 2017, e o seu próprio partido conservador Os Republicanos (LR), até então na oposição.
A coalizão de esquerda Nova Frente Popular (NFP), que pediu para governar como primeira força nas eleições, já anunciou que vai apresentar uma moção de censura ao novo governo, que está à mercê da extrema direita.
A sobrevivência do governo de Barnier depende do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), de Marine Le Pen, que, assumindo o seu papel de árbitro, confirmou nesta segunda-feira que buscará "influenciar" o novo Executivo.
"Vamos pressioná-los para obter resultados nas questões de segurança, imigração, poder de compra. E se não forem nessa direção, assumiremos as nossas responsabilidades", alertou o seu deputado, Sébastien Chenu, na rádio RMC.
- "Restaurar a ordem" -
A nível político, o perfil do novo ministro do Interior, o conservador Bruno Retailleau, vai ao encontro desta reivindicação de linha-dura em matéria de imigração e segurança, que se estende por vários países europeus.
"Tenho três prioridades: restaurar a ordem, restaurar a ordem, restaurar a ordem", disse nesta segunda-feira Retailleau, cuja nomeação causou desconforto inclusive na aliança de Macron devido às suas posições próximas da extrema direita.
No domingo à noite, Barnier defendeu o controle da "imigração, que muitas vezes se torna insuportável" e indicou que eliminar a ajuda médica de emergência aos migrantes em situação irregular "não é um tabu".
Embora estas sejam reivindicações tradicionais da extrema direita, o partido de Le Pen indicou que aguardará a apresentação do projeto de orçamento para 2025, no início de outubro, para decidir se censura o governo.
Este será o teste decisivo para Barnier, que prometeu melhorar os serviços públicos e "controlar as finanças públicas" da França, cujo déficit e dívida públicas excedem os limites dos padrões europeus.
Embora tenha descartado um aumento generalizado de impostos, o primeiro-ministro abriu a porta no domingo para pedir um "maior esforço" aos contribuintes mais ricos e às empresas mais lucrativas.
A adoção de uma rápida moção de censura seria um revés para Emmanuel Macron, que se recusou a nomear a candidata do NFP, a economista Lucie Castets, como primeira-ministra, em nome da "estabilidade institucional".
S.Gregor--AMWN