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Biden alerta na ONU contra 'guerra em grande escala' no Líbano
O presidente americano, Joe Biden, alertou, nesta terça-feira (24), sobre o perigo de uma "guerra em grande escala" no Líbano, um país que "está à beira do abismo", segundo alertou o chefe da ONU, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.
"Uma guerra em grande escala não beneficia ninguém. Embora a situação tenha se agravado, ainda é possível uma solução diplomática", afirmou Biden na sede da ONU em Nova York.
Em seu último discurso como presidente dos Estados Unidos ante esse fórum, Biden também instou a alcançar um cessar-fogo em Gaza, que "trará de volta para casa os reféns e garantirá a segurança de Israel e Gaza livre do controle do Hamas, aliviará o sofrimento em Gaza e colocará fim a essa guerra".
O alerta de Biden chegou momentos depois de o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, advertir que "o povo libanês, o povo israelense e os povos do mundo não podem permitir que o Líbano se torne outra Gaza".
"Gaza é um pesadelo permanente que ameaça arrastar toda a região no caos, começando pelo Líbano", afirmou diante dos governantes e representantes dos 193 países da ONU, antes de pedir à comunidade internacional que se "mobilize para um cessar-fogo imediato e a libertação incondicional de todos os reféns" israelenses sob poder do Hamas
"Todos deveríamos estar alarmados por essa escalada", disse Guterres que também denunciou o "odioso" ataque de 7 de outubro do movimento islamista Hamas em solo israelense, mas, disse que "nada pode justificar o castigo coletivo" que o povo palestino está sofrendo nas mãos de Israel.
Em um discurso interrompido várias vezes pelos aplausos, Guterres alertou que o estado do mundo é "insustentável". "Não podemos seguir assim", disse.
Quase um ano depois do início da guerra em Gaza, o conflito ameaça se propagar para a região. Os bombardeios israelenses contra o Hezbollah libanês, apoiado pelo Irã, deixaram cerca de 500 mortos na segunda, no dia mais mortal em quase um ano de disputas entre Israel e o grupo xiita.
Em um discurso depois de Guterres e Biden, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou Israel de "arrastar toda a região para a guerra". Na segunda, o novo presidente iraniano, Masud Pezeshkian, acusou os israelenses de quererem "ampliar" o conflito no Oriente Médio.
- Lula e América Latina -
Os diversos conflitos que assolam o mundo, não apenas a Faixa de Gaza e Líbano, mas também Ucrânia e Sudão, ameaçam eclipsar outras preocupações como a mudança climática, os riscos da Inteligência Artificial ou o desenvolvimento econômico, assim como a própria capacidade da ONU para enfrentar os desafios atuais e futuros.
Abrindo os trabalhos da Assembleia Geral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é "inaceitável" que a América Latina e África não tenham um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
"A exclusão da América Latina e da África de postos permanentes no Conselho de Segurança é um eco inaceitável das práticas de dominação do passado colonial", afirmou Lula, lembrando que "estamos chegando ao final do primeiro quarto do século XXI com as Nações Unidas cada vez mais esvaziadas e paralisadas".
É hora de "restituir à organização as prerrogativas inerentes à sua condição de fórum universal", e dotá-la dos meios necessários para "enfrentar as mudanças vertiginosas do panorama internacional", disse.
Em seu discurso, Lula ainda deu as boas-vindas à delegação palestina, em meio a aplausos.
- "Cortejo de misérias humanas" -
Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, subirá ao púlpito na quarta-feira, mas, nesta terça-feira, participará de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para abordar o conflito da Ucrânia.
"A paz está sendo atacada por todas as partes", alertou o secretário Guterres, que pede que se ponha fim "ao cortejo de misérias humanas".
Além de Lula e de vários contrapartes sul-americanos, desfilaram na tribuna da Assembleia Geral o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, além do indiano Narendra Modi.
A crise vivida pela Venezuela após as eleições presidenciais de 28 de julho, cuja vitória foi atribuída a Nicolás Maduro em meio às denúncias de fraude da oposição, os riscos da desinformação para as democracias - discussão promovida pelo presidente de Governo espanhol, Pedro Sánchez, e Lula - tiraram momentaneamente o foco dos conflitos bélicos.
Dos mais de cem chefes de Estado e de Governo que falarão na tribuna, muitos já falaram na "Cúpula do Futuro", que nos últimos dias abordou os desafios mais importantes que a humanidade enfrenta.
P.Silva--AMWN