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ONU insta Talibã a permitir que mulheres afegãs trabalhem para ONGs
A ONU instou, nesta terça-feira (31), o Talibã a suspender a proibição que impede as mulheres afegãs de trabalhar para ONGs, um decreto considerado "profundamente discriminatório".
Desde o retorno dos talibãs ao poder no Afeganistão em 2021, as mulheres têm sido progressivamente excluídas dos espaços públicos, algo que as Nações Unidas chamaram de "apartheid de gênero".
"Estou profundamente preocupado com o recente anúncio das autoridades de fato do Afeganistão de que as permissões das ONGs serão revogadas se continuarem empregando mulheres afegãs", disse o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, em um comunicado.
Turk acrescentou que, na semana passada, o Ministério da Economia afegão lembrou às ONGs nacionais e internacionais que estão proibidas de empregar mulheres afegãs, após o decreto de dezembro de 2022.
As trabalhadoras dos setores da saúde e da educação, e aquelas que trabalham remotamente, estão isentas desta lei, anunciou no domingo a organização ACBAR, que representa cerca de 200 ONGs no Afeganistão, após uma reunião com o ministério em Cabul.
"Nenhum país pode progredir - política, econômica ou socialmente - enquanto exclui metade da sua população da vida pública", disse Turk, apelando à revogação deste decreto "profundamente discriminatório" e de todas as outras medidas que "têm o objetivo de impedir o acesso de mulheres e meninas à educação, ao emprego e aos serviços públicos, como a saúde, e que restringem a sua liberdade de circulação".
"Para o futuro do Afeganistão, as autoridades devem mudar de rumo", disse ele.
Atualmente, as mulheres afegãs não podem frequentar parques, academias, salões de beleza ou sair de casa sem acompanhante. Também não estão autorizadas a frequentar o ensino médio ou superior e são forçadas a abandonar os estudos após concluírem o ensino fundamental.
Uma lei recente proibiu as mulheres de cantar ou recitar poesia, sob uma aplicação ultraconservadora da lei islâmica, como muitas outras diretivas talibãs. Esta lei incentiva as mulheres a esconderem as suas vozes e corpos fora de casa, sob um véu.
O governo talibã afirma que a lei islâmica "garante" os direitos dos afegãos e afegãs.
L.Davis--AMWN