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Trump e Putin conversarão sobre a Ucrânia esta semana
O presidente Donald Trump conversará esta semana com seu homólogo russo Vladimir Putin, informou neste domingo (16) o emissário do mandatário americano para temas internacionais, Steve Witkoff, enquanto Washington pressiona Moscou para que aceite uma trégua com a Ucrânia.
O presidente dos Estados Unidos propôs um cessar-fogo de 30 dias na Ucrânia. Kiev aceitou a proposta, mas Moscou não anunciou uma resposta clara.
Witkoff, que se reuniu por várias horas com Putin há alguns dias, disse ao canal CNN que "os dois presidentes terão conversas boas e positivas esta semana".
Algumas horas antes, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, conversaram por telefone no sábado e "discutiram as próximas etapas" para acabar com a guerra na Ucrânia.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, ao fazer referência à conversa, informou neste domingo que os diplomatas abordaram "os aspectos concretos" da continuidade das discussões na Arábia Saudita e "concordaram em permanecer em contato", sem mencionar a proposta de trégua dos Estados Unidos.
Apesar das recentes tensões entre o presidente americano e seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, Kiev aceitou um cessar-fogo de 30 dias com mediação dos Estados Unidos, caso Moscou interrompa os ataques no leste da Ucrânia.
O presidente Vladimir Putin, no entanto, não aceitou a proposta e impôs condições que vão além do que era solicitado no acordo entre Estados Unidos e Ucrânia.
Desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro, o presidente Trump afirma que busca acabar com o conflito de mais de três anos e se aproximou de Putin.
- Momento da verdade -
A ligação entre os chefes da diplomacia russa e americana aconteceu após uma reunião de cúpula virtual organizada por Londres no sábado.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse aos 26 líderes que participaram do encontro virtual que eles deveriam se concentrar em como fortalecer a Ucrânia, proteger qualquer cessar-fogo e manter a pressão sobre Moscou.
"Minha sensação é que, mais cedo ou mais tarde, (o presidente russo) terá que sentar à mesa e se envolver em uma discussão séria", disse Starmer.
Os comandantes militares de quase 30 países se reuniram em Paris em 11 de março para discutir planos para uma força de manutenção da paz na Ucrânia e voltarão a se reunir na quinta-feira no Reino Unido para que a coalizão passe à "fase operacional", disse Starmer.
Zelensky anunciou a designação de uma "delegação" para negociar "uma paz justa" com a Rússia, segundo um decreto publicado no sábado.
Após a cúpula virtual, o presidente francês Emmanuel Macron disse que deseja que "a pressão seja clara" sobre Moscou, que "não dá a impressão de querer sinceramente a paz".
"É o momento da verdade, porque se a Rússia não se comprometer sinceramente com a paz, o presidente Trump endurecerá as sanções e represálias, e isso mudará completamente a dinâmica", disse Macron.
O presidente russo "intensifica os combates e quer obter tudo para depois negociar", denunciou o presidente francês em uma mensagem do Palácio do Eliseu à AFP.
- "Uma posição mais forte" -
Zelensky também alertou que a Rússia quer ter "uma posição mais forte (no território) antes do cessar-fogo" e acusou Moscou de adiar as conversações.
Starmer e Macron demonstraram disposição para enviar tropas britânicas e francesas à Ucrânia, mas não está claro se outros países estão dispostos a fazer o mesmo.
A Rússia rejeitou a ideia de que soldados estrangeiros atuem como forças de paz na Ucrânia. Macron, no entanto, declarou no sábado que "se a Ucrânia solicitar a presença de forças aliadas em seu território, não corresponde à Rússia aceitar ou não".
Apesar das possíveis negociações, os combates prosseguem e Moscou recuperou trechos de território esta semana na região fronteiriça de Kursk.
Kiev declarou que sua Força Aérea derrubou 130 drones de fabricação iraniana lançados pela Rússia no sábado sobre 14 regiões ucranianas.
Putin, por sua vez, pediu que as tropas ucranianas cercadas em Kursk "se rendam".
Moscou retirou 371 civis dos territórios que reconquistou na região, anunciou neste domingo o governador Alexander Khinshtein nas redes sociais.
Na Ucrânia, uma pessoa morreu em um ataque de drone na cidade de Izium, na região de Kharkiv. Um prédio residencial sofreu um incêndio e uma casa foi danificada no sábado à noite em Chernihiv (norte), após um ataque russo, anunciaram as autoridades locais.
O.Norris--AMWN