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Trump pede destituição de juiz que suspendeu expulsões de migrantes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou nesta terça-feira (18), de "lunático radical de esquerda" o juiz que ordenou suspender a expulsão de migrantes com base em uma lei de guerra do século XVIII e pediu sua destituição, em um ataque direto ao Poder Judiciário.
"Este juiz, como muitos dos juízes corruptos perante os quais me vejo obrigado a me apresentar, deveria ser destituído!", afirmou o presidente republicano em sua plataforma, Truth Social.
Este "lunático da esquerda radical, encrenqueiro e agitador, tristemente nomeado por (o ex-presidente democrata) Barack Hussein Obama, não foi eleito presidente", ressaltou, referindo-se a James Boasberg, juiz federal de Washington.
"Só faço o que os eleitores queriam que fizesse" porque "a luta contra a imigração ilegal pode ter sido a razão número um" de sua vitória eleitoral de novembro, escreveu, usando letras maiúsculas, como costuma fazer.
No sábado, o magistrado ordenou suspender por 14 dias a expulsão de migrantes com base na Lei de Inimigos Estrangeiros, de 1798, ativada por Trump contra a gangue venezuelana Tren de Aragua. Até agora, ela foi usada apenas três vezes: durante a Guerra de 1812, na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial.
O juiz pediu concretamente que fosse preparada uma operação de expulsão para El Salvador de mais de 200 migrantes, aos quais o governo americano acusa de pertencerem ao Tren de Aragua e à gangue M-13, ambos declarados recentemente organizações "terroristas" globais pelo Departamento de Estado americano.
O governo seguiu adiante com as deportações, alegando que os expulsos já tinham deixado os Estados Unidos quando ele emitiu a ordem com a proibição por escrito e que o magistrado não tem jurisdição, uma vez que os aviões saíram do espaço aéreo americano.
Os argumentos não convenceram o juiz Boasberg, que, segundo veículos de comunicação americanos, pediu uma resposta ao governo nesta terça-feira.
Não é a primeira vez que Donald Trump ataca o poder judiciário por contrariá-lo, mas agora ele deu um passo à frente, ao pedir diretamente a destituição de um juiz.
O processo de destituição de um magistrado fica a cargo do Congresso e em um país muito polarizado politicamente é altamente improvável que vá ocorrer.
O presidente americano reprime com mão-de-ferro a migração ilegal e equipara os migrantes a criminosos, apesar de números oficiais demostrarem que a delinquência diminui.
- "Não queremos criminosos" -
"Não queremos criminosos impiedosos, violentos e dementes, muitos deles assassinos transtornados, no nosso país", reforçou ele nesta terça.
Em sua luta contra a migração irregular, Trump tem obtido apoios, como o do presidente salvadorenho, Nayib Bukele.
Washington pagou-lhe "aproximadamente seis milhões de dólares" (aproximadamente R$ 34 milhões, na cotação atual) para deter os migrantes expulsos, confirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, uma bagatela, segundo ela, "em comparação com o custo de vida que significaria para o contribuinte americano abrigar estes terroristas em prisões de segurança máxima" nos Estados Unidos.
Bukele comemorou nas redes sociais a saída dos voos dos Estados Unidos.
"Ups... Tarde demais", escreveu no domingo, junto ao emoji de uma cara chorando de rir e do anúncio do juiz.
Segundo ele, chegaram ao país 238 supostos membros do Tren de Aragua, que foram transferidos para o temido Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot).
Na noite de segunda-feira, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou que vai pedir à ONU mecanismos de proteção para os venezuelanos enviados para esta prisão, inaugurada por Bukele há três anos como parte de sua cruzada contra as gangues.
X.Karnes--AMWN