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ONU descarta participar da distribuição de ajuda por fundação apoiada pelos EUA
A ONU não participará da distribuição de ajuda humanitária em Gaza que será realizada por uma nova fundação apoiada pelos Estados Unidos, pois considera que seus termos não respeitam os princípios de imparcialidade e independência, disse um porta-voz do organismo internacional nesta quinta-feira (15).
"Deixei claro que participamos de operações de ajuda de acordo com nosso princípios básicos. Como dissemos em repetidas ocasiões, este plano de distribuição não está em consonância com nossos princípios básicos, incluídos os de imparcialidade, neutralidade e independência, e não participaremos dele", disse Fahan Haq, porta-voz adjunto da Secretaria Geral das Nações Unidas.
Desde 2 de março passado, Israel impede a entrada de ajuda humanitária no território palestino, apesar da necessidade vital dos 2,4 milhões de pessoas que vivem ali.
A Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês) anunciou, na quarta-feira, sua intenção de começar a distribuir ajuda na Faixa de Gaza, sitiada por Israel no fim de maio. A organização prevê distribuir quase 300 milhões de rações de comida em um período inicial de 90 dias.
No entanto, conhece-se pouco sobre esta nova fundação, registrada em Genebra, em fevereiro.
O governo americano anunciou, em 8 de maio passado, seu apoio à nova ONG, deixando a ONU de lado.
Há semanas, a ONU se opõe aos planos alternativos propostos por Israel e a GHF para permitir a entrada de ajuda, alegando que muitos moradores seriam excluídos.
"A ONU tem um plano, um plano excelente pronto para ser aplicado enquanto nos permitam fazer nosso trabalho", insistiu Haq, assinalando que caminhões carregados com 171 mil toneladas de alimentos esperam para entrar em Gaza.
Com estas provisões, "poderíamos alimentar todo mundo" em Gaza, "provavelmente durante quatro meses", acrescentou.
O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, que repetiu que seu país não permitirá um retorno ao sistema de ajuda anterior, que, segundo ele, servia ao Hamas, pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que "revise sua abordagem" sobre este novo plano de distribuição de ajuda.
Ele assegurou que Israel "facilitará" o trabalho da GHF, mas "não o financiaremos", acrescentou.
Durante muito tempo, Israel criticou a intervenção da ONU por considerá-la enviesada e proibiu o trabalho da agência da ONU destinada a fornecer ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA).
S.F.Warren--AMWN