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Rússia se dispõe a trabalhar com Ucrânia em 'eventual tratado de paz', diz Putin
O presidente Vladimir Putin disse, nesta segunda-feira (19), que a Rússia está disposta a trabalhar com a Ucrânia em um "memorando" sobre "um eventual tratado de paz" entre os dois países, e considerou que as discussões com Kiev estão na "direção certa" após os diálogos infrutíferos em Istambul.
Putin também pediu à Ucrânia "compromissos que satisfaçam todas as partes", enquanto mantém demandas extremas desde o início da ofensiva de seu exército na Ucrânia, em fevereiro de 2022.
"A Rússia proporá e está disposta a trabalhar com a parte ucraniana em um memorando sobre um eventual tratado de paz futuro", declarou Putin à imprensa ao final de um telefonema com seu contraparte americano, Donald Trump.
Ainda precisa ser detalhado "um certo número de posições", acrescentou, "como os princípios de resolução, os prazos para a conclusão de um acordo de paz, etc., incluindo um possível cessar-fogo por um prazo determinado se os acordos correspondentes forem concluídos".
"A questão é, logicamente, que as partes russa e ucraniana mostrem a máxima vontade de paz e encontrem compromissos que satisfaçam todas as partes", afirmou.
Vladimir Putin falou à TV russa ao final de uma conversa com Trump "de mais de duas horas", que qualificou de "útil", "muito instrutiva e muito franca". O presidente americano impulsiona Moscou e Kiev a cessarem os combates.
Este telefonema ocorreu três dias depois das primeiras conversas de paz entre russos e ucranianos desde 2022, que terminaram sem alcançar uma trégua, como reivindicavam Kiev e seus aliados.
Esta reunião revelou o abismo que separa as posições dos dois países. Até agora, Putin mantém demandas extremas: que a Ucrânia renuncie aderir à Otan, abandone quatro de suas regiões parcialmente controladas pela Rússia, além da Crimeia, anexada em 2014, e a suspensão do envio de armas ocidentais.
Para evitar uma nova invasão russa no futuro, Kiev também pede de Moscou "garantias de segurança" sólidas nesse sentido.
Apesar de tudo, Vladimir Putin disse, nesta segunda, que considerava que as discussões com a Ucrânia estão no "caminho certo", depois da "retomada" dos diálogos bilaterais.
A ofensiva russa na Ucrânia, lançada em fevereiro de 2022, causou a morte de dezenas de milhares de pessoas e provocou uma destruição gigantesca.
D.Sawyer--AMWN