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EUA qualifica como 'construtivas' negociações nucleares com Irã em Roma
As negociações nucleares entre Irã e Estados Unidos, realizadas nesta sexta-feira (23), em Roma, foram "construtivas", afirmou Washington, enquanto Teerã falou de um diálogo "complicado".
Os dois países, inimigos desde a Revolução Islâmica que depôs a monarquia pró-Ocidente no Irã em 1979, iniciaram diálogos em 12 de abril sobre o programa nuclear iraniano.
Na quinta rodada de conversas, realizada nesta sexta-feira, que durou cerca de três horas, participaram o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, e o enviado americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
O encontro foi celebrado na residência em Roma do embaixador de Omã, um dos mediadores, noticiaram veículos de mídia iranianos.
Estes são os contatos em mais alto nível entre ambos os países desde que os Estados Unidos abandonaram, em 2018, no primeiro mandato do presidente americano Donald Trump, o acordo nuclear firmado três anos antes.
O pacto, que tornou-se obsoleto após a saída americana, visava impedir que o Irã desenvolvesse seu programa nuclear, em troca da suspensão das sanções internacionais.
"As conversas seguem sendo construtivas: fizemos mais progressos, mas ainda há trabalho a fazer", disse um alto funcionário americano sob condição de anonimato.
"Ambas as partes acordaram mutuamente se reunir em um futuro próximo", acrescentou.
Araghchi, por sua vez, disse que as conversas foram "mais complicadas do que se pode resolver em duas ou três reuniões".
No entanto, qualificou as trocas com Washington de muito "profissionais".
- 'Alguns avanços' -
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, admitiu que o encontro terminou "com alguns avanços, mas sem resultados conclusivos".
"Esperamos esclarecer as questões pendentes nos próximos dias, a fim de avançar para o objetivo comum de obter um acordo duradouro e digno", escreveu ele na rede social X.
Atualmente, o Irã enriquece urânio a 60%, muito acima do limite de 3,67% estabelecido pelo acordo de 2015, mas abaixo dos 90% necessários para desenvolver armas nucleares.
Teerã sempre negou que suas atividades nucleares tenham finalidade armamentística e defende seu direito a desenvolver a energia nuclear para fins civis.
Se Washington quiser impedir que Teerã enriqueça urânio, "não haverá acordo", advertiu Araghchi na quinta-feira.
Desde que voltou à Casa Branca, Trump retomou sua campanha de "pressão máxima" sobre o Irã.
E embora apoie os diálogos, advertiu que haverá ações militares se a diplomacia fracassar.
O Irã, por sua vez, busca um novo acordo que flexibilize as sanções, que sufocam sua economia.
- Israel entra na equação -
Witkoff disse que Washington "não poderia autorizar nem mesmo 1% de capacidade de enriquecimento" ao Irã, enquanto Teerã considerou essa postura "inegociável".
Os diálogos ocorrem antes da reunião, em junho, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), entidade de controle nuclear da ONU. Também ocorrem antes de o acordo de 2015 expirar, o que está previsto para outubro.
A Organização de Energia Atômica do Irã afirma que a indústria nuclear do país emprega 17 mil pessoas, um número semelhante ao de outros países que enriquecem urânio para uso civil.
"Os Países Baixos, a Bélgica, a Coreia do Sul, o Brasil e o Japão enriquecem urânio sem possuir armas nucleares", disse o porta-voz da organização, Behruz Kamalvandi.
A inimizade entre Irã e Israel, que tem os Estados Unidos como seu principal aliado, é um tema recorrente nas negociações.
Citando várias autoridades americanas sob condição de anonimato, a emissora CNN noticiou na terça-feira que Israel estava preparando ataques às instalações nucleares do Irã.
Na quinta-feira, veio à tona uma carta que o chanceler Araghchi endereçou ao secretário-geral da ONU, António Guterres, alertando que "o governo dos Estados Unidos [...] assumirá a responsabilidade legal" por qualquer ataque israelense contra suas instalações nucleares.
A Casa Branca informou que Trump teve uma "conversa produtiva" sobre o Irã com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na quinta-feira.
O acordo de 2015 prevê que a ONU retome as sanções se o Irã violar seus compromissos, um mecanismo que os três signatários europeus do acordo — Reino Unido, França e Alemanha — já avisaram que ativariam se a segurança do continente fosse ameaçada.
Araghchi disse que essa medida teria "consequências": não apenas "o fim do papel da Europa no acordo", mas também "uma escalada de tensões que poderia se tornar irreversível".
S.F.Warren--AMWN