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Rússia acusa Ucrânia de intensificar ataques para frustrar negociações de paz
Moscou acusou Kiev nesta terça-feira (27) de intensificar os bombardeios com o objetivo de prejudicar as negociações de paz e afirmou que os ataques em larga escala efetuados por suas tropas contra a Ucrânia foram uma "resposta" às ações de drones ucranianos em seu território.
Os esforços liderados pelos Estados Unidos para forçar o início de negociações de paz entre Rússia e Ucrânia não registraram avanços e o presidente Donald Trump expressou sua frustração com as duas partes.
As autoridades ucranianas acusaram na segunda-feira a Rússia de lançar o maior ataque com drones desde o início da ofensiva em 2022, após vários dias de bombardeios intensos que saturaram as defesas aéreas do país.
"Kiev, com o apoio de alguns países europeus, tomou uma série de medidas de provocação para frustrar as negociações iniciadas pela Rússia", afirmou o Ministério da Defesa russo.
O comunicado acrescenta que o Exército russo está atacando a Ucrânia "em resposta aos ataques massivos com drones ucranianos contra regiões russas".
A Rússia alega que atacou apenas "alvos militares" na Ucrânia, mas no domingo as autoridades de Kiev relataram as mortes de 13 civis, incluindo três crianças.
Moscou afirmou que lançou os intensos bombardeios depois que a Ucrânia atacou o país com mais de 1.465 drones desde 20 de maio, ações que deixaram vários civis feridos, incluindo mulheres e crianças.
As autoridades russas afirmaram que prosseguirão com os bombardeios "em resposta a qualquer ataque" ou provocação da Ucrânia.
Trump tenta, desde seu retorno à Casa Branca, atuar como mediados para acabar com o conflito, mas sem alcançar progressos significativos.
No domingo, o republicano expressou sua frustração e chamou o presidente russo, Vladimir Putin, de "louco". Também ameaçou a Rússia com mais sanções, caso os ataques prossigam.
Os esforços diplomáticos para terminar com mais de três anos de conflito foram intensificados nas últimas semanas. Funcionários russos e ucranianos de alto escalão participaram no dia 16 de maio do primeiro encontro direto entre as duas partes desde os primeiros meses da guerra.
Mas o Kremlin não apresentou sinais de moderar suas exigências.
- "Impunidade" -
A Ucrânia reiterou sua mensagem a favor de mais sanções contra a Rússia.
"Precisamos acabar com esta espera eterna: a Rússia precisa de mais sanções", declarou nesta terça-feira o chefe de gabinete do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, Andrii Yermak.
Zelensky disse na segunda-feira que os ataques recentes mostram que a Rússia sente que pode agir com "impunidade".
A ofensiva russa na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022, deixou milhares de mortos e destruiu grande parte do leste e sul do país.
A intensificação dos ataques russos aconteceu depois que os dois países concordarem com a maior troca de prisioneiros desde o início do conflito, uma operação que beneficiou 1.000 pessoas de cada lado.
O Kremlin afirmou nesta terça-feira que as críticas do presidente dos Estados Unidos a Putin não afetarão os planos para uma troca de presos entre os dois países, definida pelos dois governantes em uma conversa telefônica na semana passada.
"Está claro que as partes russa e americana não devem, nem podem concordar em tudo", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
"Mas há vontade política de aplicar os acordos alcançados, e o trabalho continua", acrescentou.
O chanceler russo, Sergey Lavrov, afirmou na semana passada que Moscou está elaborando um documento com suas condições para um acordo de paz.
A Rússia informou que divulgaria o documento após a conclusão da troca de prisioneiros, mas nesta terça-feira o texto ainda não estava pronto.
O governo da Rússia rejeita o apelo da Ucrânia e de seus aliados ocidentais por um cessar-fogo incondicional e total. Moscou exige que Kiev renuncie às pretensões de integrar a Otan e aceite ceder o território controlado por Moscou.
"Assim que o memorando estiver pronto, será enviado a Kiev. Esperamos que a parte ucraniana faça o mesmo", declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
S.F.Warren--AMWN