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Zelensky acusa Rússia de querer sabotar futuras negociações
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, não se pronunciou nesta sexta-feira (30) sobre se seu país participará das conversas diretas propostas para segunda-feira em Istambul, e acusou a Rússia de sabotá-las ao não enviar seu “memorando” com as condições para um acordo de paz.
Os esforços diplomáticos para pôr fim à invasão russa da Ucrânia, iniciada em 2022, intensificaram-se nas últimas semanas, mas ainda existe uma notável falta de confiança entre Moscou e Kiev, que culpam um ao outro pela falta de avanços concretos.
“Há mais de uma semana, os russos são incapazes de apresentar o chamado memorando”, queixou-se Zelensky nesta sexta, em referência a um documento que a Rússia prometeu enviar durante este segundo ciclo de negociações diretas.
“Infelizmente, a Rússia está fazendo tudo o possível para que um possível próximo encontro não traga nenhum resultado”, acrescentou, evitando confirmar a participação da Ucrânia nessas potenciais novas negociações.
Por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reiterou que só compartilharão este memorando no âmbito das conversas.
O chanceler turco, Hakan Fidan, em visita a Kiev, havia proposto anteriormente que a Turquia acolhesse “uma reunião entre [Donald] Trump, [Vladimir] Putin e Zelensky, sob liderança” do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que tem mantido equidistância durante o conflito e tem relações fluidas tanto com a Rússia quanto com a Ucrânia.
Zelensky já havia proposto em maio reunir-se com seu homólogo russo e organizar depois um formato tripartido que incluísse o presidente dos Estados Unidos, mas o Kremlin não aceitou.
Na ocasião, Moscou rejeitou mais uma vez a ideia de uma reunião cara a cara entre Putin e o presidente ucraniano, mas propôs reunir-se novamente com Kiev na segunda-feira em Istambul, após um primeiro encontro não muito frutífero em 16 de maio na mesma cidade.
- Moscou quer “resultados” -
Questionado sobre a possibilidade de uma cúpula Putin-Zelensky-Trump, Peskov afirmou que o líder russo é “favorável, em princípio, a contatos no mais alto nível”.
No entanto, “primeiro, devem ser alcançados resultados através de negociações diretas entre os dois países”, acrescentou.
O porta-voz também disse que enviará uma delegação a Istambul “pronta” para negociar em um novo ciclo de diálogo com a Ucrânia na segunda-feira.
Por sua vez, o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sibiga, limitou-se a dizer junto com seu homólogo turco que a Ucrânia está “interessada” em continuar os encontros.
Putin rejeita os apelos por um cessar-fogo incondicional, que a Ucrânia apoia, apesar da pressão dos Estados Unidos e da Europa, enquanto o Exército russo avança no leste da Ucrânia, mais de três anos após o início da invasão.
Moscou frequentemente usa esses termos para se referir a diversas demandas, como a limitação das capacidades militares da Ucrânia, o veto à sua entrada na Otan, além de concessões territoriais e a remoção de Zelensky do poder.
Essas condições são inaceitáveis para a Ucrânia, que acusa a Rússia de não querer nem o fim dos combates nem a paz. E denuncia que Moscou busca adiar qualquer processo de paz em um momento em que suas tropas estão na ofensiva.
- EUA ameaça se retirar da mediação -
A invasão russa, que começou em fevereiro de 2022, é o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e já deixou dezenas ou até centenas de milhares de mortos.
Após prometer, durante sua campanha, encerrar o conflito em até 24 horas após seu retorno à Casa Branca, Trump expressa uma crescente frustração com a Rússia.
Na semana passada, ele chamou Putin de "louco" e alertou que ele está "brincando com fogo". Também criticou Zelensky, acusando-o de ser lento na busca por um acordo.
Em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira, um diplomata americano de alto escalão alertou que os Estados Unidos poderiam se retirar das negociações.
"Se a Rússia tomar a decisão errada de continuar esta guerra catastrófica, os Estados Unidos terão que considerar se retirar dos esforços de negociação", disse John Kelley na reunião, que incluiu enviados russos e ucranianos.
S.F.Warren--AMWN