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Coreia do Sul escolhe novo presidente após crise por lei marcial
Os sul-coreanos comparecem às urnas nesta terça-feira (3) para a eleição de seu novo presidente, seis meses após o ex-chefe de Estado Yoon Suk Yeol ter provocado o caos político com sua fracassada declaração de lei marcial.
O candidato de centro-esquerda Lee Jae-myung é apontado como favorito na eleição de turno único, à frente do ex-ministro Kim Mon-soo.
Os locais de votação permanecerão abertos até 20h00 (8h00 de Brasília), quando serão divulgados os resultados das pesquisas de boca de urna.
O vencedor assumirá o cargo de maneira quase imediata e enfrentará vários problemas, incluindo a crise provocada pelas tarifas americanas no comércio internacional, que prejudicaram a economia exportadora da Coreia do Sul.
Também enfrentará uma das menores taxas de natalidade do mundo e a crescente beligerância da Coreia do Norte, com seu arsenal militar em constante expansão.
A maior preocupação dos eleitores, no entanto, é o impacto da fracassada lei marcial de Yoon, que deixou a Coreia do Sul sem liderança durante os primeiros meses do governo do americano Donald Trump, segundo analistas.
A quarta maior economia asiática atravessa um período de instabilidade política desde o início de dezembro, quando o conservador Yoon declarou lei marcial por algumas horas e enviou o Exército à Assembleia Nacional, dominada pela oposição.
- "Um novo país" -
Desde o episódio de dezembro, o país teve alguns presidentes interinos, Yoon foi afastado do cargo, acusado de insurreição, detido após semanas de resistência e finalmente destituído pelo Tribunal Constitucional.
O eleitor Park Dong-shin, de 79 anos, disse à AFP que votaria "para fazer um novo país".
Ele considerou que a lei marcial "foi o tipo de coisa que se fazia nos velhos tempos da ditadura em nosso país". Park explicou que votaria no candidato que garanta que os responsáveis por esta declaração "sejam tratados como se deve".
As pesquisas apontam o favoritismo do líder da oposição, Lee Jae-myung. O ex-advogado de 61 anos e dirigente do Partido Democrata (centro-esquerda) tinha 49% das intenções de votos, segundo uma pesquisa recente do instituto Gallup.
Em segundo lugar, com 35% das intenções de voto, estava o ex-ministro do Trabalho Kim Mon-soo, do Partido do Poder Popular, o mesmo de Yoona.
O país de 52 milhões de habitantes, que passou a um regime democrático em 1987, é cenário de uma polarização após a crise política provocada pela lei marcial.
Analistas projetaram uma taxa elevada de participação. A Comissão Nacional de Eleições do país informou que, até meio-dia, 62,1% do eleitorado havia votado.
"As pesquisas indicam que a eleição é considerada um referendo sobre o governo anterior", comentou à AFP Kang Joo-hyun, professor de Ciências Políticas da Universidade de Sookmyung.
L.Durand--AMWN