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Aliados da Ucrânia se reúnem com a esperança de avanços nas negociações de paz
Os aliados da Ucrânia se reúnem nesta terça-feira (19) para debater o resultado das recentes conversações que visam acabar com a guerra com a Rússia, após os indícios de que Vladimir Putin e Volodimir Zelensky poderiam se encontrar para negociar a paz.
As esperanças de um avanço aumentaram depois que o presidente ucraniano e os líderes europeus se reuniram na segunda-feira em Washington com Donald Trump, que afirmou que também conversou por telefone com seu homólogo russo.
A guerra na Ucrânia, que matou dezenas de milhares de pessoas, está praticamente estagnada, apesar de alguns avanços recentes da Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta terça-feira que qualquer acordo de paz com Kiev deve levar em consideração "os interesses de segurança" de Moscou.
"Sem respeito pelos interesses de segurança da Rússia, sem respeito total pelos direitos dos russos e dos falantes de russo que vivem na Ucrânia, não se pode falar de acordos de longo prazo", disse Lavrov ao canal de TV estatal Rossiya 24.
O ministro também mencionou a possibilidade de uma reunião entre Putin e Zelensky, que seria a primeira desde a invasão russa há mais de três anos, mas destacou que o encontro deverá ser preparado "minuciosamente".
- "Coalizão de voluntários" -
Quase 30 aliados de Kiev se reunirão nesta terça-feira por videoconferência para abordar os avanços, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, que esteve em Washington na segunda-feira para o encontro com Trump.
A reunião da denominada "coalizão de voluntários" os "manterá informados sobre o que for decidido", declarou Macron ao canal de notícias francês LCI. "Imediatamente depois, começaremos a trabalhar de forma concreta com os americanos".
O presidente francês e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, copresidem a reunião, na qual serão discutidos "os próximos passos" para a Ucrânia, informou um porta-voz do governo britânico à AFP.
Macron sugeriu que Genebra poderia receber o encontro Putin-Zelensky, mas afirmou que "depende da Ucrânia" decidir se fará concessões territoriais, incluindo partes da região leste do Donbass, que permanecem sob seu controle.
O ministro suíço das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, afirmou que seu país ofereceria "imunidade" ao presidente russo caso ele viaje para "uma conferência de paz", apesar da ordem de prisão internacional contra o chefe do Kremlin.
- Aberto às conversas -
Trump, que se reuniu na semana passada com Putin no Alasca, escreveu em sua rede Truth Social, após as reuniões de segunda-feira, que "todos estão muito felizes com a possibilidade de PAZ para Rússia e Ucrânia".
"Após as reuniões, telefonei para o presidente Putin e iniciei os preparativos para um encontro entre o presidente Putin e o presidente Zelensky, em local a ser definido", acrescentou.
Trump disse que depois será organizada uma reunião trilateral com os dois líderes.
O chefe de Governo da Alemanha, Friedrich Merz, que integrava a delegação europeia, afirmou que Putin aceitou a reunião bilateral nas próximas duas semanas. Zelensky declarou estar "pronto" para o encontro.
Apesar dos supostos avanços, Macron advertiu que "Putin raramente honrou seus compromissos" e acusou o russo de ser um "predador" e um "ogro às nossas portas".
"Ele tem sido constantemente uma força desestabilizadora. Ele tenta redefinir as fronteiras para aumentar seu poder", acrescentou.
- Garantias de segurança -
A cúpula Trump-Putin da sexta-feira passada não conseguiu um cessar-fogo e não houve trégua nos ataques diários com drones russos contra a Ucrânia.
Zelensky visitou a Casa Branca para conversar com Trump depois que o presidente americano o pressionou a fazer concessões à Rússia.
O líder ucraniano também se reuniu a sós com Trump no Salão Oval, em seu primeiro encontro no local desde a acalorada discussão exibida para todo o mundo em fevereiro.
Zelensky afirmou que a reunião de segunda-feira foi a "melhor" que teve com Trump até o momento.
Trump, por sua vez, declarou que discutiu as garantias de segurança para a Ucrânia e acrescentou que Putin as aceitou, mas descartou o antigo sonho de Kiev de entrar para a Otan.
As garantias "serão fornecidas pelos diferentes países europeus, em coordenação com os Estados Unidos da América", afirmou.
O jornal Financial Times, que cita um documento ao qual teve acesso, informou que a Ucrânia havia se comprometido a comprar 100 bilhões de dólares em armas americanas financiadas pela Europa, em troca de garantias de segurança por parte de Washington.
burs-phz/jhb/arm/hgs/fp/aa
J.Williams--AMWN