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Rodrigo Paz promete superar crise na Bolívia sem plano de ajuste severo
A Bolívia não terá um ajuste severo para sair da crise econômica, mas sim um período progressivo de estabilização, afirma o candidato à presidência de centro-direita Rodrigo Paz em entrevista à AFP.
O senador, de 57 anos, estabelece diferença com uma receita menos radical do que a proposta por seu rival de extrema direita Jorge Quiroga.
Ambos disputarão o segundo turno em 19 de outubro para definir o próximo presidente deste país de 11,3 milhões de habitantes.
Paz promete aplicar o "capitalismo popular" nesta nação rica em gás e recursos de lítio, mas com 85% de informalidade laboral.
A Bolívia enfrenta uma árdua crise econômica, com uma inflação que chegou a 25% na comparação anual em julho.
O governo estatista de esquerda mantém uma onerosa política de subsídios aos combustíveis que quase esgotou as reservas de dólares. A falta de divisas provocou a disparada de uma taxa de câmbio paralela que duplica o valor oficial imposto pelo governo.
Diante do colapso, o Movimento Ao Socialismo (MAS) deixará o poder após 20 anos.
Pergunta: Como a Bolívia sairá da crise?
Resposta: Primeiro, reduzir o déficit (fiscal). Segundo: transparência em relação ao dólar, colocando-o onde deve estar. Terceiro: o banco central não deve ser o caixa pequeno do governo; ele deve ter uma gestão monetária clara. Quarto: é necessário um fundo, para o câmbio do dólar, para a estabilização (...).
Estamos cortando o subsídio (...). Cerca de 1.200 são normalmente gastos com corrupção e contrabando, então vamos cortar (esse valor). Por outro lado, os gastos supérfluos (...) de cerca de 1.300.
Isso representa pouco mais de 60% do déficit (fiscal). Com ações específicas, podemos gerar um processo de alívio da pressão inflacionária (...).
P: Como a sua proposta difere da de Quiroga?
R: A principal diferença é que eu não sou um candidato que está no cargo há seis meses, que chega no final e diz "Quero ser presidente" (...). Estávamos trabalhando em um projeto político (...).
Tentamos trabalhar com a informalidade primeiro (...) em resposta às propostas que nos foram dadas enquanto viajávamos pelo país: "Reduzam os impostos, reduzam as tarifas, fechem a alfândega corrupta."
P: Prevê um choque econômico?
R: Acho que vai ser uma transição. Haverá um processo de estabilização; não chamamos isso de ajuste. É estabilização. Acho que as pessoas vão entender (...). Entramos com uma margem de confiança.
As pessoas entendem (...), elas não aceitam, como disse outro candidato (Quiroga), que "vamos pegar um empréstimo do Fundo Monetário Internacional". As pessoas dizem: "Vamos primeiro colocar a casa em ordem, ver o que está faltando e depois conversar com o Fundo".
P: O que fará com o gás?
R: Haverá uma mudança fundamental na política ambiental e na política energética (...).
Mas, pelos próximos 20 anos, a Bolívia terá uma dependência energética do gás. Precisamos continuar explorando reservatórios para garantir essa transição para novas fontes de energia no futuro.
P: O que vai acontecer com os contratos de lítio assinados com empresas da China e da Rússia?
R: Uma nova lei de 'evaporitos' (recursos) é necessária. Esses contratos precisam ser revistos. Eles não foram aprovados no Parlamento (...). Ninguém os conhece.
Embora tenhamos a primeira bancada (de parlamentares), se não houver clareza e transparência na comunicação com o povo da Bolívia, será muito difícil que sejam aprovados.
P: Seu governo prenderá Evo Morales (acusado de supostamente abusar sexualmente de uma menor enquanto era presidente)?
R: A Justiça deve conduzir os processos. O meu compromisso é não interferir. Vamos fazer uma reforma profunda do sistema judicial. Embora o foco em Evo esteja voltado para a esfera política, hoje seis em cada dez pessoas presas estão em prisão preventiva (...).
As condições de Evo serão respeitadas com base em uma norma do sistema judicial e serão aplicadas com todo o rigor.
P: Apoiaria uma operação dos Estados Unidos para derrubar Nicolás Maduro, como ele teme?
R: Não aceito a Venezuela como está hoje, com seu modelo que não é democrático. É uma ditadura e não vou mudar de ideia sobre isso (...).
Não compartilho da opinião de ações desse tipo, mas se isso ajudar a Venezuela a recuperar sua democracia, só posso apoiar qualquer coisa que mude a vida dos venezuelanos.
A.Mahlangu--AMWN