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Rússia e Belarus começam exercícios militares conjuntos sob o olhar inquieto da Otan
Rússia e Belarus, aliado crucial de Moscou, iniciaram nesta sexta-feira (12) exercícios militares conjuntos sob o olhar inquieto da Otan, depois que a Polônia acusou o Kremlin de aprofundar as tensões com a incursão de drones em seu espaço aéreo.
As manobras, chamadas "Zapad", acontecem a cada quatro anos e devem prosseguir até terça-feira (16). Os exercícios atuais coincidem com o avanço das tropas russas na Ucrânia, onde intensificaram os bombardeios contra as grandes cidades do país.
A Rússia, que lançou uma ofensiva militar no país vizinho em fevereiro de 2022, anunciou que derrubou 221 drones ucranianos ao longo da noite, em um dos maiores ataques de Kiev desde o início do conflito.
"As manobras conjuntas estratégicas das Forças Armadas russas e bielorrussas começaram", anunciou o Ministério da Defesa de Moscou em um comunicado divulgado nesta sexta-feira.
Os exercícios acontecem perto de Borisov, ao leste de Minsk, capital de Belarus, indicaram as autoridades do país. O Exército russo também indicou que algumas "ações práticas" serão efetuadas na Rússia, no Mar de Barents e no Mar Báltico.
A organização das manobras gera preocupação no flanco leste da Otan. Polônia, Lituânia e Letônia, todos membros da Aliança Atlântica e vizinhos de Belarus, permanecem em alerta máximo.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, fez uma advertência sobre "dias críticos" para seu país e Varsóvia ordenou o fechamento total de sua fronteira com Belarus até a conclusão das manobras. Lituânia e Letônia também anunciaram fechamentos parciais do espaço aéreo.
As tensões com Moscou atingiram o ponto máximo com a incursão na madrugada de quarta-feira de pelo menos 19 drones no espaço aéreo polonês, o que obrigou a mobilização das defesas antiaéreas da Otan. Varsóvia considerou que foi uma incursão deliberada, o que o Kremlin nega.
As manobras desta sexta-feira são "exercícios planejados, não são direcionadas contra ninguém", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
- Mísseis Oreshnik -
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, questionou as intenções da Rússia e disse que os exercícios não eram "defensivos" e "não apontam apenas para a Ucrânia".
As manobras Zapad geralmente são organizadas a cada quatro anos e os exercícios de 2025 são os primeiros desde o início do conflito na Ucrânia. As manobras anteriores, em 2021, mobilizaram quase 200.000 soldados russos alguns meses antes do começo da ofensiva.
Os exercícios deste ano, no entanto, devem ser consideravelmente menores, já que centenas de milhares de soldados russos estão mobilizados na Ucrânia.
Belarus afirmou em janeiro que 13.000 soldados participariam das manobras, mas em maio anunciou que o número seria reduzido pela metade.
Segundo Tusk, o objetivo das manobras é simular a ocupação do corredor de Suwalki, que se estende ao longo da fronteira entre Polônia e Lituânia, com o enclave russo de Kaliningrado ao oeste e Belarus ao leste.
O corredor é frequentemente considerado um ponto fraco da Otan, que poderia ser o primeiro alvo de um possível ataque russo.
O temor é uma "bobagem absoluta", reagiu o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko.
Contudo, o deslocamento de armas nucleares táticas russas para Belarus deu uma nova dimensão às manobras. Minsk afirmou em agosto que as manobras incluiriam o novo míssil experimental russo com capacidade nuclear, denominado Oreshnik.
A.Jones--AMWN