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Venezuela reforça presença militar nas fronteiras diante da pressão dos Estados Unidos
A Venezuela reforçou a presença militar nos estados fronteiriços com a Colômbia como parte da resposta à presença no Caribe de navios de guerra dos Estados Unidos, que executaram um novo ataque na quinta-feira (17), e que desta vez aparentemente deixou sobreviventes.
Washington mantém desde agosto uma operação "antidrogas" com vários navios de guerra em águas internacionais do Caribe, perto da costa venezuelana, e efetuou vários ataques contra pequenas embarcações de supostos "narcoterroristas", com um balanço de 27 mortos.
O presidente Donald Trump acusa o homólogo Nicolás Maduro de ter vínculos com o narcotráfico e anunciou na quarta-feira que autorizou operações da CIA contra a Venezuela.
Maduro atribui as acusações a um plano para buscar uma "mudança de regime" na Venezuela e assumir o controle das amplas reservas de petróleo do país.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, desmentiu na quinta-feira que teria negociado com o governo dos Estados Unidos a suposta saída de Maduro do poder.
O jornal americano Miami Herald publicou que Delcy e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, tentaram negociar com Washington a saída de Maduro em troca de permanecerem no poder.
Segundo o jornal, durante o diálogo com mediação do Catar, os irmãos supostamente argumentaram não ter envolvimento com o narcotráfico e que poderiam assegurar uma transição que preservaria a estabilidade política.
A vice-presidente Rodríguez negou a informação do jornal de Miami. "FAKE!! Outro veículo de comunicação que se junta ao lixão da guerra psicológica contra o povo venezuelano", escreveu no Telegram.
A mensagem era acompanhada por uma foto ao lado de Maduro com a legenda: "Juntos e unidos ao lado do presidente Maduro".
O almirante norte-americano Alvin Holsey, responsável por supervisionar os ataques dos Estados Unidos contra supostas embarcações do narcotráfico no Caribe, anunciou na quinta-feira que deixará o posto depois de ficar apenas um ano no cargo.
Holsey deixará o cargo de chefe do Comando Sul, unidade responsável pelas forças que operam na América Central e do Sul.
- Reforço militar na fronteira com a Colômbia -
A mobilização militar americana é considerada por Caracas como uma "ameaça" e, em resposta, Maduro ordenou exercícios com milhares de militares no país.
Além disso, as autoridades dos estados de Táchira e Amazonas anunciaram na quinta-feira patrulhas e procedimentos de controle em passagens de fronteira com a Colômbia.
Em Táchira, onde ficam as três principais pontes que ligam a Venezuela à Colômbia, os militares foram mobilizados ao redor da Ponte Internacional Simón Bolívar, que liga as cidades colombianas de Cúcuta e Villa del Rosario à venezuelana San Antonio.
No estado do Amazonas, que também faz fronteira ao sul com o Brasil, os militares receberam ordens para proteger as "empresas estratégicas" e "serviços básicos".
A Venezuela também reforçou a presença militar em zonas costeiras, como Nueva Esparta, Sucre e Delta Amacuro, estados próximos a Trinidad e Tobago.
- Um ataque com sobreviventes -
Especialistas questionam a legalidade dos ataques dos Estados Unidos em águas internacionais contra suspeitos que não foram detidos nem interrogados.
O ataque mais recente, na quinta-feira, deixou vários sobreviventes a bordo, segundo os canais americanos CBS, CNN e NBC, que citaram fontes do governo americano.
O Pentágono não respondeu até o momento ao pedido da AFP por informações sobre o número de sobreviventes e seu estado.
As emissoras indicaram que este seria o primeiro ataque que deixa sobreviventes, o que provoca questionamentos sobre se os tripulantes receberam assistência e onde estariam.
A Venezuela pediu na semana passada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que impeça o governo dos Estados Unidos de cometer um "crime internacional", mas recebeu apenas o apoio de alguns membros liderados por seus maiores aliados, China e Rússia.
Caracas afirma que o governo Trump tenta "fabricar um conflito" para justificar uma invasão.
O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, denunciou na quinta-feira que Washington lançou um ataque em 14 de outubro, "uma nova série de execuções extrajudiciais contra civis" perto da costa venezuelana.
Moncada afirmou que as últimas vítimas foram "dois humildes pescadores" de Trinidad e Tobago e afirmou que os ataques também provocaram vítimas colombianas.
"Não é um tema apenas venezuelano", disse à imprensa, antes de pedir que o Conselho de Segurança investigue "o conjunto de assassinatos que o governo dos Estados Unidos vem perpetrando".
P.Mathewson--AMWN