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Netanyahu diz que guerra terminará após desarmamento do Hamas
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste sábado (18) que a guerra em Gaza terminará assim que for concluída a segunda fase da trégua, que estabelece o desarmamento do movimento islamista palestino Hamas.
"A Fase B também envolve o desarmamento do Hamas, ou mais precisamente, a desmilitarização da Faixa de Gaza e, antes disso, o confisco das armas do Hamas", disse Netanyahu à emissora de TV israelense Canal 14.
"Quando isso for alcançado com sucesso — espero que de maneira fácil, mas se não, de forma contundente — então a guerra terminará", acrescentou, depois que o braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al Qassam, anunciou que entregará os corpos de dois reféns.
Israel havia afirmado anteriormente que condicionará a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah à entrega de todos os reféns mortos.
Por sua vez, o Hamas respondeu que o fechamento desse posto fronteiriço, entre Gaza e Egito, vai atrasar a entrega dos corpos dos reféns.
As agências humanitárias afirmam que a passagem fronteiriça com o Egito é crucial para a entrada de ajuda no território palestino.
O diretor de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, visitou neste sábado a Cidade de Gaza e constatou a monumental tarefa que terão as organizações de ajuda internacional para proporcionar serviços básicos e alimentos na Faixa de Gaza, devastada após dois anos de guerra.
"Estive aqui há sete ou oito meses. A maioria dos edifícios ainda estava de pé. Mas agora é absolutamente espantoso observar como grande parte da cidade se transformou em um terreno baldio", declarou Fletcher à AFP no bairro de Sheikh Raduan, no norte da cidade.
"Agora temos um grande plano de 60 dias para intensificar o fornecimento de alimentos, distribuir um milhão de refeições por dia, começar a reconstruir o setor de saúde, instalar tendas para o inverno e reenviar centenas de milhares de crianças às escolas", explicou.
O funcionário da ONU, que entrou na sexta-feira no território, afirmou que o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) enfrentará uma "tarefa monumental".
- Busca por corpos -
Em toda a Faixa de Gaza, as equipes de resgate se esforçam para recuperar os corpos sepultados sob os escombros, enquanto o Hamas tenta localizar os restos mortais dos reféns que deve entregar a Israel.
Para ajudar na busca por cadáveres, a Turquia enviou 81 especialistas de sua agência de gestão de desastres, mas a equipe permanece bloqueada na fronteira com o Egito desde sexta-feira, informou uma fonte do governo turco à AFP.
Israel e Hamas se comprometeram com um cessar-fogo a partir de 10 de outubro para que o movimento islamista libertasse, na segunda-feira passada, todos os reféns, vivos e mortos.
O Hamas libertou a tempo os 20 reféns vivos, mas entregou apenas os restos mortais de 10 dos 28 cativos falecidos.
Na manhã deste sábado, as autoridades israelenses anunciaram que identificaram os restos mortais — entregues na noite de sexta-feira — de Eliyahu Margalit, um septuagenário assassinado durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 no território israelense que desencadeou a guerra em Gaza.
Por sua vez, Israel devolveu os corpos de 15 palestinos ao território, o que eleva para 135 o total de cadáveres repatriados no âmbito do acordo.
O Hamas, que governa Gaza desde 2007, reiterou na sexta-feira que devolverá a Israel os corpos de todos os reféns que permanecem no território, mas reconheceu que o processo de restituição "poderia levar algum tempo".
- 'Violações' do acordo -
O Hamas também denuncia "diversas violações", incluindo as mortes de 37 pessoas atingidas por tiros das forças israelenses desde 10 de outubro.
As próximas etapas do plano de paz impulsionado pelo presidente americano Donald Trump incluem um desarmamento do Hamas, a anistia ou desarmamento de seus membros e a retirada completa das forças de Israel, mas não há um acordo sobre os pontos.
O ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel provocou a morte 1.221 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais.
A ofensiva israelense provocou 67.967 mortes no território palestino, também civis em sua maioria, segundo os números do Ministério da Saúde local, considerados confiáveis pela ONU.
As autoridades locais calculam que há quase 10.000 corpos entre as ruínas.
L.Davis--AMWN