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Aliados e inimigos dos EUA, alarmados com captura de Maduro na Venezuela
A operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela para capturar seu presidente, Nicolás Maduro, alarmou a comunidade internacional, e tanto aliados quanto adversários de Washington e de Caracas continuam expressando neste domingo (4) sua preocupação.
Maduro passou sua primeira noite em uma prisão de Nova York após a incursão militar da madrugada de sábado com a qual os Estados Unidos o prenderam e dizem ter assumido o controle do país sul-americano rico em petróleo.
Países como China, Rússia e Irã, que mantinham vínculos próximos com o governo de Maduro, apressaram-se em condenar a operação, mas a apreensão também foi compartilhada por aliados de Washington.
Aqui, um resumo das reações:
- Brasil -
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse no X que o ataque à Venezuela e a captura de Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável". Pediu à comunidade internacional, através das Nações Unidas, para "responder de forma vigorosa".
- China -
O Ministério das Relações Exteriores da China instou no domingo os Estados Unidos a "libertarem imediatamente" Maduro e sua esposa, também detida, e a desistirem de seus planos de "derrubar o governo da Venezuela".
Anteriormente, classificou o ataque em Caracas como uma ameaça à "paz e à segurança na América Latina e no Caribe" e denunciou o "comportamento hegemônico" de Washington.
- Rússia -
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também pediu "firmemente" aos Estados Unidos que "reconsiderem sua postura e libertem" Maduro e sua esposa.
- México -
A chancelaria mexicana condenou "energicamente as ações militares executadas unilateralmente" contra a Venezuela.
- Colômbia -
O presidente colombiano, Gustavo Petro, rejeitou os ataques "com mísseis" em Caracas e ordenou a mobilização de militares para a fronteira.
O mandatário da Colômbia, país que neste ano é membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, pediu que o organismo se reúna "de imediato". Um encontro já foi marcado para segunda-feira.
- Chile -
O presidente em fim de mandato do Chile, Gabriel Boric, manifestou sua "enérgica condenação", em particular "diante do anúncio de que um Estado estrangeiro pretende exercer um controle direto sobre o território venezuelano".
"Hoje é a Venezuela, amanhã poderia ser qualquer outro", alertou.
- Cuba -
"Os Estados Unidos não têm autoridade moral nem de nenhum tipo para retirar à força de seu país o presidente venezuelano, mas (...) são responsáveis perante o mundo" por sua "integridade física", disse o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, aliado de Caracas.
- ONU -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou sua preocupação com o "respeito ao direito internacional", segundo um porta-voz.
- Irã -
O Irã, que foi bombardeado por ordem de Trump no ano passado, condenou "firmemente o ataque militar americano".
- União Europeia -
A União Europeia exigiu neste domingo que seja respeitada a vontade do povo da Venezuela, considerando nessa posição "o único meio para resolver a crise", e pediu "a todos os atores que demonstrem calma e moderação".
- Espanha -
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou no X que seu país "não reconheceu o regime de Maduro", mas "também não reconhecerá uma intervenção que viola o direito internacional".
A operação americana "empurra a região para um horizonte de incerteza e belicismo", acrescentou.
- França -
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou no sábado que o "povo venezuelano" só pode "se alegrar" com o fim da "ditadura de Maduro" e reivindicou uma "transição pacífica".
- Alemanha -
O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, considerou que Maduro havia "levado seu país à ruína" e desempenhado "um papel problemático na região", por exemplo "ao envolver a Venezuela no tráfico de drogas".
- Itália -
O gabinete da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, divulgou um comunicado neste domingo informando sobre uma conversa telefônica com María Corina Machado, na qual ambas concordaram que "a saída de Maduro abre um novo capítulo de esperança" para a Venezuela.
- Reino Unido -
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que todos os países devem "respeitar o direito internacional" e acrescentou que o Reino Unido não participou de forma alguma da operação.
- Panamá -
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, manifestou o desejo de “um processo de transição ordenado e legítimo” na Venezuela.
- Argentina -
A operação dos Estados Unidos "significa a queda do regime de um ditador que vinha fraudando as eleições (...). E isso não só é bom para a Venezuela como é bom para a região", assegurou o presidente argentino, Javier Milei, à LN+.
- Equador -
"A todos os criminosos narcochavistas chega a sua hora. Sua estrutura terminará de cair em todo o continente", escreveu no X o presidente do Equador, Daniel Noboa.
- Coreia do Norte -
A Coreia do Norte, inimiga ferrenha dos Estados Unidos, denunciou no domingo "o ato hegemônico cometido" na Venezuela como "a mais grave violação da soberania".
- Israel -
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou neste domingo o apoio de Israel à "ação enérgica" de Washington "para restaurar a liberdade e a justiça".
"Parabenizamos o presidente (Donald) Trump (...) e também saudamos as Forças Armadas dos Estados Unidos, que realizaram uma operação perfeita", acrescentou.
- Vaticano -
O papa Leão XIV afirmou neste domingo que "o bem-estar do querido povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e conduzir à superação da violência e ao início de caminhos de justiça e paz".
Ele também pediu para “garantir a soberania” do país caribenho.
- Comunicado de cinco países da América Latina e da Espanha -
Em um comunicado conjunto divulgado pela chancelaria colombiana, Brasil, Chile, México, Uruguai, Colômbia e Espanha rejeitaram "qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos" venezuelanos.
F.Bennett--AMWN