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Secretário de Energia dos EUA se reúne com presidente interina na Venezuela
O secretário de Energia dos Estados Unidos chegou, nesta quarta-feira (11), à Venezuela para se reunir com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e dirigentes do setor petrolífero.
A visita de Chris Wright é a de mais alto nível do governo de Donald Trump desde a intervenção militar de 3 de janeiro, que terminou com a captura de Nicolás Maduro.
Rodríguez era sua vice-presidente e herdou o poder. Ela exerce também o cargo de ministra de Hidrocarbonetos.
A embaixada dos Estados Unidos para a Venezuela anunciou a chegada de Wright e publicou uma foto em que ele aparece no aeroporto internacional de Maiquetía, que atende Caracas, ao lado da chefe da missão diplomática, Laura Dogu.
“Bem-vindo à Venezuela”, diz uma mensagem da embaixada em sua conta no X. “Sua visita é fundamental para avançar a visão de @POTUS (Donald Trump) de uma Venezuela próspera.”
“O setor privado americano será essencial para impulsionar o setor petrolífero, modernizar a rede elétrica e desbloquear o enorme potencial da Venezuela”, acrescentou.
A vice-ministra do Petróleo, Paula Henao Vera, recebeu o secretário, representando o governo.
“O encontro tem como objetivo estabelecer uma agenda construtiva e benéfica para ambas as nações, no marco da soberania energética e das relações históricas bilaterais”, indicou a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) pelo Telegram.
Rodríguez governa sob a pressão de Trump, que afirmou estar à frente do país.
Ela avança na restauração de suas deterioradas relações com Washington, rompidas desde 2019 por Maduro. Cedeu o controle do petróleo a Washington e impulsiona uma anistia geral, que leve à libertação de centenas de presos políticos.
Ordenou ainda o fechamento do Helicoide, sede do serviço de inteligência que ONGs denunciam como um centro de torturas.
- Novos investimentos -
Em uma guinada de seu modelo estadista, a outrora potência petrolífera encaminha-se a uma abertura no setor. O Parlamento aprovou em janeiro uma reforma de sua Lei de Hidrocarbonetos que abre caminho para facilitar os negócios com os Estados Unidos e incrementar o fluxo de dólares.
“Acredito que a rápida aprovação dessa legislação pode ser vista como um gesto da pronta melhora nas novas relações entre os Estados Unidos e a Venezuela”, disse Wright ao portal americano Politico na segunda-feira.
“Eles desejam que cheguem investimentos à Venezuela tanto quanto nós queremos”, acrescentou.
Após a captura de Maduro, sob julgamento em Nova York por narcotráfico, Trump assumiu parte da comercialização do petróleo da Venezuela no mercado.
Fez uma primeira venda que gerou 500 milhões de dólares (2,6 bilhões de reais, na cotação atual) para o país.
O setor petrolífero venezuelano está sob embargo dos Estados Unidos desde 2019. Embora, desde a aprovação da reforma da Lei de Hidrocarbonetos, o Tesouro americano tenha emitido licenças que flexibilizam as sanções.
Washington anunciou na terça-feira novos passos para suavizar as restrições sobre a indústria petrolífera venezuelana, ao autorizar licenças para fornecer equipamentos ao setor, além do frete de navios e algumas operações portuárias e aeroportuárias.
A Venezuela busca aumentar sua produção de petróleo em 18% em 2026 com a reforma da lei petrolífera.
Alcançou em 2025 uma cota de produção de 1,2 milhão de barris de petróleo, um marco após atingir mínimos históricos em torno de 360 mil barris em 2020, mas ainda longe dos 3 milhões que extraía no início do século.
O país sul-americano possui as maiores reservas comprovadas de hidrocarbonetos do planeta, de cerca de 303 bilhões de barris.
Y.Nakamura--AMWN