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Bangladesh comparece às urnas um ano após revolta popular
Bangladesh compareceu às urnas nesta quinta-feira (12) para definir um novo Parlamento e deixar para trás os 15 anos de governo com mão de ferro da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, derrubada em 2024 por uma revolta popular liderada por jovens da geração Z.
Mais de 300.000 soldados e policiais foram mobilizados em todo o país de 170 milhões de habitantes. Especialistas da ONU alertaram para uma "crescente intolerância, ameaças e ataques", além de um "tsunami de desinformação", particularmente direcionada aos eleitores jovens.
"Este é o meu primeiro voto e espero que, depois de tudo o que vivemos nos últimos anos, seja o momento de algo positivo", declarou a estudante Shithi Goswami, de 21 anos.
Um dos favoritos para assumir o cargo de primeiro-ministro, Tarique Rahman, de 60 anos, acredita que o Partido Nacionalista de Bangladesh (PNB) retomará o poder, mas enfrenta uma disputa acirrada com o maior partido islamista do país, o Jamaat‑e‑Islami.
"Acredito que vencerei a eleição", declarou Tarique Rahman à imprensa. "Teremos maioria suficiente para governar o país com calma", acrescentou.
O líder do Jamaat, Shafiqur Rahman, de 67 anos, que foi preso durante o governo de Sheikh Hasina, espera tornar-se o primeiro governante islâmico da história de Bangladesh, um país de maioria muçulmana (90%).
Ao votar, ele fez um alerta sobre denúncias de possível fraude e afirmou que seu partido fará "tudo o que for necessário" para assegurar eleições justas.
As pesquisas de opinião apresentaram resultados variáveis, mas em sua maioria apontaram o PNB como favorito para vencer a votação.
O primeiro-ministro interino, Muhammad Yunus, que renunciará ao cargo após as eleições, destacou em uma mensagem à nação a importância da votação, cujos primeiros resultados são esperados para esta noite.
Yunus, de 85 anos e Prêmio Nobel da Paz, governa o país do sul da Ásia desde o fim do governo de 15 anos de Hasina, em agosto de 2024.
Esta eleição "determinará a direção futura do país, o caráter de sua democracia, sua durabilidade e o destino das próximas gerações", declarou.
Protagonistas dos distúrbios do verão de 2024, os jovens (pessoas de 18 a 37 anos representam 44% do eleitorado) esperam mudanças profundas em um país com a economia estagnada e minado pela corrupção.
Hasina, 78 anos, foi condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade pela sangrenta repressão das manifestações em seus últimos meses no poder. Ela está na Índia atualmente.
A.Mahlangu--AMWN