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México enfrenta onda de violência após morte do narcotraficante mais procurado do país
O México permanece em estado de alerta nesta segunda-feira (23), com escolas fechadas em pelo menos oito estados, após a onda de violência desencadeada pela morte do poderoso chefe do narcotráfico Nemesio "El Mencho" Oseguera em uma operação militar.
A presidente Claudia Sheinbaum pediu calma à população em meio à explosão de violência, que provocou bloqueios em rodovias, incêndios de veículos e estabelecimentos comerciais, além do cancelamento de dezenas de voos de companhias aéreas dos Estados Unidos e do Canadá.
Além do fechamento de escolas em vários estados, o Poder Judiciário anunciou que os juízes podem manter os tribunais fechados se considerarem necessário.
"El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJGN), era o narcotraficante mexicano mais procurado. O governo dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura.
Ele era considerado o último dos chefões ao estilo de Joaquín "El Chapo" Guzmán e Ismael "El Mayo" Zambada, presos em 2016 e 2024, respectivamente, e atualmente detidos nos Estados Unidos.
O narcotraficante de 59 anos ficou ferido em um confronto com militares na localidade de Tapalpa (oeste do país) e morreu "durante seu traslado por via aérea à Cidade do México", informou o Exército.
Durante a operação, sete criminosos morreram e três militares ficaram feridos. Dois integrantes do CJNG foram detidos e diversas armas foram apreendidas, como lançadores de foguetes capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos "forneceram apoio de inteligência ao governo mexicano" na operação.
- Guadalajara, paralisada -
Em reação à operação militar, membros do cartel iniciaram uma onda de violência em vários estados. Homens armados bloquearam com carros e caminhões incendiados diversas vias do estado de Jalisco.
A capital do estado, Guadalajara, a segunda maior cidade do país e que receberá quatro jogos da Copa do Mundo de 2026, ficou paralisada após um pedido do governo para que os moradores procurassem abrigo.
Todos os estabelecimentos comerciais fecharam as portas. Nas ruas, apenas as sirenes dos carros dos bombeiros eram ouvidas, enquanto os serviços de emergência trabalhavam para controlar os incêndios provocados por supostos membros do cartel.
"Chegaram alguns homens armados, vi a arma e disseram para sairmos, nós saímos e eles tinham um carro com as portas abertas. Pensei que iam nos sequestrar, corri para a frente, até uma barraca de tacos, e me abriguei com eles", disse à AFP María Medina, que trabalha em uma loja de conveniência que foi incendiada por criminosos em Guadalajara.
Os bloqueios e incêndios de lojas e estabelecimentos também se estenderam ao balneário de Puerto Vallarta, ao estado vizinho de Michoacán e aos estados de Puebla (centro), Sinaloa (noroeste), Guanajuato (centro) e Guerrero (sul), entre outros.
Oito horas depois da operação militar, muitas rodovias permaneciam bloqueadas por homens armados, constataram jornalistas da AFP.
Segundo as autoridades mexicanas, às 20h00 (23h00 de Brasília), quase 90% dos 229 bloqueios registrados no país tinham sido desativados.
- Pressão de Trump -
Diante do cenário de violência, três partidas de futebol foram suspensas no domingo. O Departamento de Estado americano instou seus cidadãos no México a buscarem abrigo.
A morte de "El Mencho" ocorre em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o México freie o envio de drogas, especialmente fentanil, para seu país, e de acusações de que o governo Sheinbaum não faz o suficiente para combater o narcotráfico.
O subsecretário de Estado americano Christopher Landau descreveu a operação como um "grande marco para o México, os Estados Unidos, a América Latina e o mundo".
O cartel de "El Mencho" foi formado em 2009 e se tornou uma das quadrilhas do narcotráfico mais violentas do México, segundo informações do Departamento de Justiça americano.
Os Estados Unidos classificaram esse cartel como uma organização terrorista e o acusam de tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil.
F.Pedersen--AMWN