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Irã e EUA relatam 'avanços' nas negociações para acabar com o conflito
Irã expressa otimismo antes de negociações com EUA
O presidente do Irã expressou otimismo nesta quarta-feira (25), antes de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos em Genebra, depois que o presidente Donald Trump acusou Teerã de desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos, e de continuar com suas ambições nucleares.
O presidente americano multiplicou suas ameaças de ataque ao Irã caso não chegue a um acordo sobre o programa nuclear daquele país, e mobilizou um grande dispositivo militar no Oriente Médio, que inclui um porta-aviões.
Em um aumento da pressão, os Estados Unidos anunciaram hoje novas sanções contra o Irã, e o vice-presidente JD Vance disse que Teerã deveria "levar a sério" as advertências de Washington sobre uma possível ação militar. Ainda assim, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, mostrou-se otimista em relação à nova rodada de negociações em Genebra, amanhã, sob a mediação de Omã.
"Vemos uma perspectiva favorável para as negociações", disse Pezeshkian. "Continuamos o processo sob a conduta do líder supremo, para sair desta situação de nem guerra nem paz."
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, e sua equipe de negociadores chegaram hoje a Genebra, informou à AFP uma fonte diplomática. A delegação deve se reunir nesta noite com o ministro das Relações Exteriores de Omã, "para apresentar a posição do Irã sobre o levantamento de sanções e a questão nuclear", informou a chancelaria iraniana.
Trump afirmou ontem que o Irã trabalha para "construir mísseis que alcançarão em breve os Estados Unidos", e que aquele país segue com "suas ambições nucleares sinistras", o que foi desmentido pelo chancelaria iraniana.
O alcance máximo dos mísseis iranianos é de 2.000 km, segundo autoridades iranianas, mas o Serviço de Pesquisa do Congresso americano estima que eles alcancem, na realidade, cerca de 3.000 km, menos de um terço da distância até o território continental americano.
- Novas sanções -
Teerã nega ter ambições nucleares militares, mas insiste em seu direito ao uso civil da energia nuclear, em virtude do Tratado de Não Proliferação (TNP). Trump disse ontem que prefere resolver o problema por meio da diplomacia, mas reiterou que jamais permitirá que o Irã tenha armas nucleares.
JD Vance, por sua vez, afirmou ao canal Fox News que Trump "tem à sua disposição outras ferramentas para garantir" que o Irã não desenvolva armas nucleares. "Espero que os iranianos levem isso a sério nas negociações de amanhã, porque certamente é isso que o presidente prefere."
O Departamento do Tesouro americano anunciou novas sanções contra mais de 30 indivíduos, entidades e embarcações que afirmou facilitarem "vendas ilícitas de petróleo iraniano" e a produção de armas no país.
- Sofrimento -
Irã e Estados Unidos, que retomaram o diálogo em 6 de fevereiro em Omã, organizaram cinco rodadas de negociações nucleares no ano passado, mas os encontros foram interrompidos pela guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense, durante a qual Washington bombardeou instalações nucleares iranianas.
O presidente dos Estados Unidos também acusou as autoridades iranianas de matar 32.000 pessoas na repressão à onda de protestos sem precedentes que atingiu o ponto máximo nos dias 8 e 9 de janeiro.
Autoridades iranianas reconhecem mais de 3.000 mortos nas manifestações, mas atribuem a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, calcula que mais de 7 mil pessoas morreram na repressão dos protestos. A ONG advertiu, no entanto, que o número real provavelmente é muito mais elevado.
Um morador de Teerã disse hoje à AFP que a população está dividida sobre a possibilidade de um novo conflito. Para alguns, a guerra é inevitável, mas um vendedor que se identificou como Mehdi previu que as negociações serão bem-sucedidas: "Os americanos estão blefando."
A dona de casa Tayebeh mencionou que Trump diz "que a guerra seria muito ruim para o Irã". "Haveria fome e as pessoas sofreriam muito. As pessoas já estão sofrendo. Com a guerra, pelo menos, nosso destino ficaria claro."
P.Costa--AMWN