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Cuba restabelece rede elétrica após apagão mas cortes persistem
Cuba restabeleceu sua rede elétrica nesta quinta-feira (5), após uma falha que deixou dois terços da ilha sem serviço, mas a escassez de combustível agravada pelo cerco energético dos Estados Unidos mantinha a população submetida a cortes prolongados de energia.
As interrupções se intensificaram desde que o governo de Donald Trump impôs um bloqueio energético de fato após a derrubada e captura do presidente Nicolás Maduro, um aliado-chave de Cuba, em uma incursão americana em 3 de janeiro. Ao mesmo tempo, o governo Trump pôs fim aos envios de petróleo de Caracas para Havana.
O centro e o oeste do país, incluindo a capital, ficaram sem eletricidade desde o meio-dia de quarta-feira por causa de uma falha que provocou um desligamento "inesperado" da central termelétrica Antonio Guiteras, a principal da ilha, informou o Ministério de Minas e Energia.
"Às 05h01 desta madrugada, o Sistema Elétrico foi interconectado de Guantánamo a Pinar del Río", províncias nos extremos leste e oeste da ilha, disse o ministério no X.
Na tarde desta quinta-feira, o serviço havia sido restabelecido em quase 80% da capital, embora várias áreas da cidade permaneçam sem energia devido ao alto déficit de geração elétrica no país.
Entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro, a disponibilidade de eletricidade no país caiu 20% em comparação com 2025, ano em que Cuba mal cobriu metade de suas necessidades, segundo dados oficiais compilados e analisados pela AFP.
- Falta de combustível -
As autoridades indicaram que, embora a falha na principal termelétrica do país tenha sido "o estopim do apagão", a "principal causa" foi "a fragilidade do sistema elétrico pela indisponibilidade de combustível" para alimentar geradores de apoio.
O sistema do país depende de uma rede de termelétricas envelhecidas, algumas com mais de 40 anos de operação.
A ilha, de 9,6 milhões de habitantes, sofreu cinco apagões generalizados desde o fim de 2024.
Desde 9 de janeiro nenhum petroleiro chegou oficialmente a Cuba, o que obrigou o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar medidas severas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel, o racionamento de gasolina e a redução de alguns serviços hospitalares.
Para justificar sua política, Washington alega a "ameaça excepcional" representada por Cuba, ilha caribenha situada a apenas 150 km da costa da Flórida, para a segurança nacional americana, devido às suas relações com China, Rússia e Irã.
Havana acusa Trump de querer "asfixiar" a economia da ilha comunista, submetida a embargo americano desde 1962 e alvo de um endurecimento das sanções nos últimos anos.
P.Silva--AMWN