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Petróleo recua levemente, mas se mantém perto dos 100 dólares
Guerra no Oriente Médio provoca perturbação 'histórica' no fornecimento mundial de petróleo
A guerra no Oriente Médio, que paralisou o Estreito de Ormuz e, portanto, uma parte essencial do tráfego mundial de combustíveis, constitui "a maior perturbação" do abastecimento de petróleo da história, advertiu nesta quinta-feira (12) a Agência Internacional de Energia (AIE).
O conflito, que começou em 28 de fevereiro com os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, prejudicou as cadeias de abastecimento de petróleo bruto, com danos em instalações de produção cruciais em toda a região, e agora provoca o temor de ataques contra o setor financeiro.
Os países do Golfo reduziram a produção de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris diários devido ao bloqueio da passagem de Ormuz, controlada de fato por Teerã, segundo um relatório da AIE.
Na quarta-feira, os 32 países que integram a organização, incluindo os Estados Unidos, decidiram liberar um recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, com a esperança de acalmar as inquietações de um mercado extremamente volátil desde segunda-feira.
Apesar da medida, os preços do petróleo voltaram a superar momentaneamente a marca de 100 dólares (515,90 reais) nas negociações do mercado asiático. Durante as negociações no mercado europeu, as cotações recuaram e o barril de Brent do Mar do Norte tinha cotação de quase 97 dólares (+5,5% em relação ao fechamento de quarta-feira) e o West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado americano, era negociado a 91,6 dólares (+5%).
"O alarme geopolítico continua ressoando no Estreito de Ormuz", avaliou Stephen Innes, analista da SPI Asset Management.
"No jargão dos corretores da Bolsa, a liberação de reservas por parte da AIE equivale a utilizar uma mangueira de jardim para apagar o incêndio de uma refinaria".
Outra consequência do conflito é o número de iranianos deslocados dentro do país: quase 3,2 milhões desde o início da guerra, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
- Explosões no Golfo -
Várias explosões foram ouvidas nesta quinta-feira no centro de Dubai, uma delas muito forte, segundo uma jornalista da AFP. O Bahrein denunciou um ataque iraniano contra depósitos de combustíveis.
Em Omã, os armazéns de combustível do porto de Salalah também sofreram incêndios na quarta-feira devido ao impacto de drones, segundo um vídeo da AFP. A Arábia Saudita relatou um novo ataque com aeronaves não tripuladas contra o campo de petróleo de Shaybah, no leste do país.
As autoridades do Kuwait anunciaram danos após um ataque com drones contra o aeroporto da capital.
Um ataque de origem desconhecida contra dois petroleiros na costa do Iraque deixou um morto e vários desaparecidos, segundo a autoridade portuária do país.
A ameaça também paira sobre o setor bancário e de finanças, serviços essenciais das grandes capitais do Golfo. A agência iraniana Tasnim citou as empresas de tecnologia americanas como "futuros alvos" de Teerã, incluindo Amazon, Google, Microsoft, IBM-Oracle e Nvidia.
O grupo bancário americano Citi e as consultorias britânicas Deloitte e PwC retiraram os funcionários ou fecharam seus escritórios em Dubai na quarta-feira, depois que receberam ameaças.
- Custo elevado -
No Irã, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, anunciou que está determinada a seguir com uma longa campanha de bombardeios contra interesses ocidentais na região, para obrigar a retirada das forças dos Estados Unidos.
Ali Fadavi, representante da força de elite, ameaçou com uma "guerra de desgaste", capaz de "destruir toda a economia americana e mundial".
O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou a União Europeia (UE) de "cumplicidade" nos ataques de Israel e Estados Unidos.
Os eventos das últimas horas provocam questionamentos sobre as declarações do presidente americano, Donald Trump, que tentou apresentar as perturbações como temporárias.
O magnata republicano prometeu que em breve reinará uma "grande segurança" na região e disse que "28 navios instaladores de minas" iranianos foram atacados, já que um dos principais temores da comunidade internacional é a presença de explosivos submarinos.
O Irã está "perto da derrota", afirmou o presidente americano na quarta-feira à noite, sem apresentar elementos que comprovem seu discurso.
A duração do confronto parece, no entanto, incerta. Israel, que apoia Washington no conflito, não estabeleceu "nenhum limite de tempo" e garante que ainda dispõe de uma "ampla reserva de alvos".
E a guerra tem sido muito cara: o jornal The New York Times informou, com base em fontes legislativas, que a primeira semana de guerra custou mais de 11 bilhões de dólares (56,74 bilhões de reais) aos Estados Unidos.
- Sete mortos no Líbano -
Em outra frente de batalha, Israel prosseguiu com os ataques no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, incluindo bombardeios intensos no sul de Beirute.
As autoridades libanesas, que registraram mais de 800.000 deslocados, informaram nesta quinta-feira as mortes de mais sete pessoas na capital.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenou ao Exército que se prepare para "expandir" as operações no Líbano.
O Exército israelense também lançou uma nova onda de ataques "em larga escala" contra Teerã depois que a República Islâmica anunciou uma operação "conjunta" com o Hezbollah contra quase 50 alvos em seu território.
Teerã anunciou ataques contra bases militares israelenses e o quartel-general do Shin Bet, a agência de segurança interna do Estado hebreu.
burs/lgo/maj/arm/avl/fp/jc
L.Harper--AMWN