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Ministro da Saúde britânico renuncia, provável rival de Starmer à frente do trabalhismo
O ministro da Saúde britânico, Wes Streeting, considerado um potencial rival de Keir Starmer pela liderança do Partido Trabalhista, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (14), representando uma séria ameaça à permanência do primeiro-ministro no cargo.
Starmer, mergulhado em uma profunda crise após o fraco desempenho do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais de 7 de maio, já havia visto sua liderança ameaçada por diversas controvérsias nos últimos meses.
Nas eleições da semana passada, o Partido Trabalhista perdeu quase 1.500 cadeiras em conselhos municipais e viu um avanço significativo para o partido anti-imigração Reform UK.
Em sua carta de renúncia, publicada na rede social X e altamente crítica a Starmer, Wes Streeting, que representa a ala direita do Partido Trabalhista, afirmou ter "perdido a confiança" na liderança do atual primeiro-ministro.
Starmer havia indicado no início da semana que desejava "continuar governando", apesar dos apelos por sua renúncia vindos de dentro do próprio partido.
"É evidente que você não liderará o Partido Trabalhista nas próximas eleições parlamentares", previstas para 2029, afirma Streeting, que destaca a necessidade de "visão" para o partido e acrescenta que "há um vácuo".
- Polêmicas em torno de Starmer -
Desde que chegou ao poder, a popularidade de Starmer, de 63 anos, tem diminuído constantemente em meio a uma economia estagnada e um custo de vida crescente, agravado pela guerra no Oriente Médio.
Starmer enfrentou as eleições locais de 7 de maio sob a sombra de um escândalo envolvendo a nomeação e posterior demissão de Peter Mandelson como embaixador britânico em Washington, após a revelação de seus laços com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Streeting acrescentou em sua mensagem a necessidade de um "amplo debate, apoiado pela maior variedade possível de candidatos" para garantir o futuro do trabalhismo.
Na declaração, Streeting não chegou a confirmar sua intenção de concorrer à liderança do Partido Trabalhista e destituir Starmer.
A renúncia de Streeting aumenta a pressão sobre Starmer, que no início desta semana viu vários membros de seu gabinete — quatro secretários de Estado — renunciarem em desafio à sua liderança.
Além disso, 86 deputados trabalhistas, dos 403 que o partido detém no Parlamento (de um total de 650 eleitos), pediram sua renúncia.
Em resposta, mais de 100 deputados trabalhistas assinaram uma carta de apoio a Starmer.
Para lançar uma campanha para suceder Starmer, Streeting precisa do apoio de 81 deputados, 20% dos membros do Partido Trabalhista.
Starmer também percebeu, nesta quinta-feira, que outra integrante do partido poderia aspirar a sucedê-lo: Angela Rayner, ex-braço direito de Starmer e popular entre a ala esquerda do partido.
- Ala esquerda do partido -
A ex-vice-primeira-ministra, de 46 anos, anunciou nesta quinta-feira que foi "inocentada de todas as acusações" em um caso de sonegação fiscal que levou à sua renúncia do governo e de suas funções no Partido Trabalhista em setembro passado.
A Receita Federal do Reino Unido (HMRC) a "inocentou da acusação" de ter "deliberadamente tentado sonegar impostos", anunciou a própria Rayner na rede X.
Questionada sobre uma possível candidatura, ela descartou iniciar hostilidades.
"Deixei claro que não vou desafiar o primeiro-ministro", disse ela ao The Guardian, embora tenha afirmado que Starmer deveria "refletir" sobre a possibilidade de renunciar.
Embora Streeting tenha apoio na ala direita do Partido Trabalhista, ele é visto com desaprovação pelos parlamentares de esquerda, que apoiam Angela Rayner ou o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham.
Burnham, de 56 anos, considerado pelas pesquisas o político mais popular dentro do trabalhismo, primeiro precisaria ser eleito deputado em Westminster em uma eleição parcial antes de poder participar da votação para escolher o novo líder trabalhista.
Em mais um golpe para Starmer, os sindicatos filiados ao Partido Trabalhista retiraram seu apoio na quarta-feira.
"O Partido Trabalhista não pode continuar por esse caminho. Um plano para a eleição de um novo líder precisa ser implementado", escreveram na rede X.
J.Oliveira--AMWN