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Diretor da CIA viaja a Havana para reunião excepcional com autoridades cubanas
O diretor da CIA viajou, nesta quinta-feira (14), a Havana para uma reunião excepcional com o alto escalão cubano, informaram as autoridades de Cuba, em meio à gravíssima crise energética que enfrenta esta ilha submetida a um bloqueio petrolífero imposto por Washington.
Questionada pela AFP, a agência de inteligência americana não confirmou de imediato o encontro entre seu diretor, John Ratcliffe, e funcionários do Ministério do Interior cubano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no fim de janeiro um decreto presidencial que estabelece que Cuba, situada a 150 km das costas da Flórida, representa uma “ameaça excepcional” para seu país.
Washington justificou assim o endurecimento das sanções contra Havana, já submetida a um embargo desde 1962, e em particular a imposição de um bloqueio petrolífero desde janeiro. Trump ameaçou com represálias qualquer país que deseje fornecer ou vender petróleo à ilha caribenha.
Nesta quinta-feira, as autoridades cubanas esclareceram que o encontro deve permitir “contribuir para o diálogo político” entre os dois adversários ideológicos que, apesar das fortes tensões, continuam em conversações.
Uma reunião em alto nível diplomático já havia ocorrido em Havana em 10 de abril. Foi a primeira vez que um avião governamental americano aterrissou na capital cubana desde 2016.
Segundo Havana, “os elementos apresentados pela parte cubana e as trocas mantidas com a delegação americana permitiram demonstrar categoricamente que Cuba não constitui uma ameaça para a segurança nacional dos EUA”.
Cuba afirma ter conseguido demonstrar também na reunião desta quinta que não existem “bases militares ou de inteligência estrangeiras em seu território”, em referência a alegações dos Estados Unidos sobre a presença de bases de escuta chinesas na ilha.
- “Sem obstáculos” -
O endurecimento das sanções americanas provocou uma crise energética e econômica sem precedentes na ilha de 9,6 milhões de habitantes.
A situação da rede elétrica continua particularmente crítica, já que o país não dispõe de reservas de diesel nem de óleo combustível.
Os apagões reiterados provocaram manifestações durante a noite de quarta para quinta-feira em Havana. Os moradores bateram panelas e incendiaram contêineres de lixo, exasperados pelos cortes de luz que podem durar mais de 20 horas.
A situação, já crítica nos últimos dias, piorou ainda mais na manhã desta quinta, com a desconexão da rede elétrica em sete das 15 províncias. Ao fim do dia, quatro províncias ainda não haviam sido reconectadas à rede nacional, segundo as autoridades.
A companhia elétrica também anunciou nesta quinta que a usina termelétrica Antonio Guiteras, a cerca de 100 km da capital e que fornece a maior parte da eletricidade do país, sofreu uma avaria devido a um “vazamento na caldeira” e que os reparos podem demorar vários dias.
Diante da complexidade da crise energética, o governo declarou-se “disposto” a examinar uma proposta de ajuda financeira de 100 milhões de dólares (cerca de 490 milhões de reais).
Washington apresentou a iniciativa na quarta-feira, com a exigência de que seja distribuída pela Igreja Católica, sem passar pelas autoridades cubanas.
Se essa ajuda cumprir as “práticas universalmente reconhecidas”, não encontrará “obstáculos” por parte do governo cubano, afirmou o presidente Miguel Díaz-Canel no X. Ele insistiu, no entanto, que o levantamento do “bloqueio” imposto pelos EUA seria “um modo mais fácil” de auxiliar o país.
Cuba enfrenta uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada pelo bloqueio imposto por Washington que, desde o fim de janeiro, só permitiu a chegada de um navio russo carregado de petróleo bruto. Sua carga já se esgotou.
Havana acusa Washington de ser o responsável pela situação crítica da rede elétrica, enquanto os Estados Unidos consideram que a crise energética cubana se deve a uma má gestão econômica interna.
“É uma economia arruinada e disfuncional, e é impossível mudá-la. Gostaria que fosse diferente”, declarou o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, filho de pais cubanos e ferrenho crítico do governo de Havana.
L.Davis--AMWN