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Ocupado com Irã, EUA deixa conflito na Ucrânia "em segundo plano"
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, compareceu esta semana diante de quatro diferentes comissões parlamentares para discutir o papel de Washington em vários conflitos ao redor do mundo, mas o tema da guerra na Ucrânia mal foi mencionado.
Com o governo do presidente Donald Trump consumido pela crise no Irã, a Ucrânia saiu em grande parte do radar da administração americana, apesar do aumento dos ataques letais contra o país.
Na quarta-feira, um dia depois de ataques russos terem deixado 23 mortos em todo o território ucraniano, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, lamentou que os Estados Unidos tenham reduzido sua atenção a esse conflito.
"Hoje não estamos no foco", disse Zelensky durante uma visita a Kiev do chefe da Otan, Mark Rutte. "O Irã é o assunto número um para os Estados Unidos, e depois vem a questão da Ucrânia. Infelizmente, estamos no fim da fila dessas guerras."
Em uma entrevista na semana passada, Zelensky afirmou que a Ucrânia necessita urgentemente de sistemas de defesa aérea americanos contra os mísseis russos e de uma postura mais firme diante do líder russo Vladimir Putin.
"Precisamos de mais sanções. Acho que precisamos de mais pressão", disse o presidente ucraniano à emissora CBS.
- Sem saída militar -
Trump fez campanha com a promessa de encerrar rapidamente a guerra na Ucrânia e dedicou meses à diplomacia, pressionando Kiev a fazer concessões e aproximando-se de Putin na tentativa de alcançar um acordo de paz.
Mas esse esforço resultou apenas em uma série de cessar-fogos passageiros e trocas de prisioneiros, enquanto Moscou e Kiev continuam distantes em questões territoriais, garantias de segurança e suspensão de sanções.
Em seu depoimento diante de um painel parlamentar, Rubio admitiu que as negociações lideradas pelos Estados Unidos entre Moscou e Kiev estavam em um impasse.
"Infelizmente... nenhuma das partes esteve disposta a fazer concessões, especialmente o lado russo", declarou Rubio ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes.
"Acreditamos que a guerra na Ucrânia, uma guerra devastadora, não tem solução militar; ela só pode ser resolvida pela via diplomática, e isso tem sido infrutífero."
Com a situação estagnada no campo de batalha, Moscou intensificou seus ataques com mísseis e drones contra cidades ucranianas, enquanto Kiev aumenta seus ataques contra instalações militares e infraestrutura dentro da Rússia.
Rubio afirmou que o sucesso da Ucrânia ao atingir alvos em território russo provavelmente será respondido com mais agressividade. "O risco de uma escalada é real, mais real do que há dois anos", declarou diante do Comitê de Apropriações do Senado.
- Mais ação da Europa? -
Elina Beketova, pesquisadora do Centro para Análise de Políticas Europeias, sediado em Washington, afirmou que o Kremlin tem pouco interesse genuíno em negociar.
"Os ataques recentes contra a Ucrânia indicam que a Rússia não está pronta para uma desescalada", disse Beketova.
"Uma janela para negociações poderá se abrir apenas se a situação no campo de batalha mudar: se a Ucrânia fortalecer sua posição como um resiliente 'Estado-fortaleza' e a Rússia ficar significativamente desgastada tanto militar quanto economicamente", afirmou.
Zelensky tem pedido à Europa que se envolva de forma mais ativa, inclusive por meio da diplomacia com Moscou, algo que os líderes europeus têm evitado, concentrando-se em isolar a Rússia por meio de sanções.
"Ambos concordamos que a Europa deve participar das negociações", escreveu Zelensky no Facebook no mês passado após uma conversa com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. "É importante que ela tenha uma voz e uma presença fortes nesse processo."
P.Costa--AMWN