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França vai mobilizar mais de 70 mil policiais para evitar novos distúrbios
O governo francês anunciou nesta sexta-feira (23) que vai mobilizar 70.000 policiais e gendarmes para evitar distúrbios durante os protestos sociais previstos para o próximo sábado, diante de "várias convocações nas redes sociais para abusos" e saques.
A segunda maior economia da União Europeia viveu no último sábado um dos maiores episódios de violência urbana dos últimos anos, seis meses antes de os franceses escolherem o sucessor do presidente Emmanuel Macron (centro-direita).
Os protestos do mês passado de estudantes do ensino médio resultaram em um movimento em todo o país alimentado pela indignação diante do aumento do custo de vida.
"Não estamos satisfeitos", declarou Nathanaël Combary, do sindicato estudantil Renouveau Lycéen, após uma reunião com Macron, ao pedir que se mantenha "a pressão" sobre o governo antes dos anúncios previstos para segunda-feira.
A margem de manobra do governo, que é minoria no Parlamento, é, no entanto, limitada, sobretudo quando busca aprovar um forte ajuste fiscal no orçamento de 2027 para reduzir o nível elevado da dívida e do déficit públicos e tranquilizar os mercados.
Os distúrbios pioraram a imagem da França, já prejudicada pela situação dos cofres públicos. Um sinal disso é que o rendimento do título soberano para dez anos voltou a ficar acima de 5%, algo inédito desde 2002.
Essa progressão reflete o temor dos investidores em relação à capacidade do Estado francês de pagar sua dívida, cujo custo teria aumentado ainda mais se a agência de classificação de risco Moody's tivesse reduzido a nota da França, o que não aconteceu. A avaliação foi mantida em Aa3, com perspectiva negativa.
- Mobilização policial -
Para evitar uma repetição das cenas de caos, que correram o mundo, o governo prometeu uma mobilização policial "maciça". O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a mobilização de 70.000 policiais e gendarmes, além de cerca de vinte veículos blindados da gendarmeria, 15 caminhões com canhões de água, helicópteros e drones, entre outros equipamentos.
"Constatamos que há inúmeras convocações procedentes do movimento da extrema esquerda e da extrema esquerda radical para cometer abusos" e "saques", declarou o ministro, em entrevista coletiva.
Autoridades atribuíram a violência a "pequenos grupos de extrema esquerda" - antifascistas, anarquistas e anarcoautônomos -, aos quais teriam se somado "criminosos oportunistas", especialmente jovens procedentes dos subúrbios das grandes cidades, para saquear lojas.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu advertiu hoje, em Limoges, que "o nível de ameaça continua elevado", antes dos novos protestos previstos para amanhã, com foco especial na "extrema esquerda" e na "criminalidade", mas defendendo um dispositivo de segurança adaptado após os distúrbios do último dia 17.
Em Orléans, a cerca de 100 km de Paris, também haverá um dispositivo importante, diante da expectativa de até 30.000 pessoas em uma manifestação contra o congresso do Reagrupamento Nacional (RN), partido de extrema direita de Marine Le Pen, que aparece como favorita nas pesquisas para a eleição presidencial.
Com as autoridades já pressionadas pela questão da segurança, um homem de 39 anos cometeu nesta sexta-feira um ataque "terrorista" e supostamente "racista" perto de Paris, que deixou um morto e vários feridos, antes de ser detido.
- Museus fechados -
Desde a violência de sábado, o governo descartou decretar estado de emergência e defendeu outras medidas para retomar o controle, como toques de recolher parciais e a proibição de manifestações que não sejam convocadas por atores "legítimos", como os sindicatos.
Diante da nova jornada de protestos, muitos comerciantes em Paris protegeram as vitrines de seus estabelecimentos com painéis de madeira. Alguns pensam em não abrir, enquanto outros pretendem defender suas lojas por conta própria de eventuais saques.
"Vi tacos de beisebol, barras de ferro e espingardas de caça", alertou o presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França, que pediu aos comerciantes que "baixem as portas" e "deixem a polícia agir".
Os museus parisienses do Louvre, Orsay e Picasso, as duas sedes da Ópera de Paris e as fundações Cartier e Louis Vuitton permanecerão excepcionalmente fechados no sábado.
burs-tjc/mab/jc/aa/lm-lb
B.Finley--AMWN